sábado, 12 de setembro de 2009

A FAMÍLIA, PATRIMÓNIO INALIENÁVEL


INÉDITO

Desde sempre a Família foi considerada ancestral e sagrada por ser um bem único e inalienável. As famílias, no seu conjunto, compõem as comunidades que devem servir de pilares consistentes de suporte da Nação.

Por os dirigentes da Nação subestimarem as famílias, não criando todas as condições imprescindíveis à sua consistência e bem-estar, acabam muitas por se desmembrarem. Daqui resulta uma dispersão de esforços, com muitos desvios da linha matriz da família, tendo como consequência o aproveitamento de malfeitores e mal intencionados dentro e fora da Nação. A fragilidade desta coloca-a à mercê das regras da concorrência global, posicionando-se em lugares da retaguarda, com indicies de atraso de tal ordem que se tornam difíceis de recuperar.

Em virtude de tardar que apareçam Novos Dirigentes capazes de revitalizar as famílias através de políticas mais adequadas, não se vislumbra para Portugal o posicionamento que merece na conjuntura socioeconómica actual do Globo, de acordo com as suas tradições históricas. Essas políticas são notórias e sobejamente conhecidas, passando pela educação, saúde, justiça, cultura, formação, inclusão, etc...

Para suprir estas falhas, devem as famílias envidar o máximo de esforços para conseguirem remover todas as dificuldades e obstáculos, devendo manter-se unidas com a ideia bem vincada e sempre presente de que são inalienáveis, por qualquer preço, mesmo que o seu rendimento per capita seja modesto.

CONTABILISTA, PROFISSÃO DE FÉ E DE RISCO


Publicado na "Cidade de Tomar", em 04/09/09

Perante casos frequentes de perdas prematuras de profissionais qualificados da minha classe profissional, não posso remeter-me ao silêncio, quando me apercebo, pela própria vivência e por relatos e desabafos de colegas, que a profissão de contabilista, para além de não ser valorizada, é exercida com muita entrega e fé e elevado grau de pressão e risco.

Estou convicto que muitos dos que se derem ao trabalho de ler esta minha crónica, não a tomem muito a sério, achando que há algum exagero, mas os factos são indesmentíveis na defesa da minha tese. A nossa profissão congrega cerca de 80.000 profissionais, obrigatoriamente membros da Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas, considerada a maior instituição profissional de Portugal.

Não obstante estarmos protegidos por algumas regalias concedidas pela nossa Câmara, as regras e o rigor deontológico a que estamos sujeitos são bastante exigentes, implicando penalidades, no caso de quaisquer infracções. As nossas responsabilidades já ultrapassaram as puras funções contabilísticas e passaram a abranger a co-responsabilidade com os nossos clientes em actos de pura gestão administrativa e fiscal, que vai brevemente estender-se ao cumprimento das obrigações junto do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social. A própria aplicação do Plano Oficial de Contabilidade vai sofrer uma profunda remodelação a partir de 2010, por uniformização e imposição da UE com novo Plano que vai obrigar à substituição do software actual. Esta fase vai coincidir com a passagem da nossa Câmara a Ordem, o que vai acrescer as nossas responsabilidades.

Também a Administração Fiscal tem transferido para os TOC, a responsabilidade da disponibilidade imediata da maior parte da informação para efeitos de controle e fiscalização tributária, cujo incumprimento, por qualquer circunstância ou factores imponderáveis, dará lugar a coimas a que os TOC não poderão escusar-se perante os seus clientes.

Por último, perfilam-se os clientes, de características muito diversas, a maior parte desorganizados e fragilizados por estruturas deficientes e sem fundos de maneio, exercendo a actividade empresarial de improviso e sujeitos à concorrência feroz das grandes superfícies. Estas deficiências são transferidas para os TOC que se vêm obrigados a ser imaginativos e infalíveis nas mais diversas soluções. Inversamente, as remunerações dos TOC não são proporcionais e compatíveis com o seu trabalho e as suas responsabilidades inerentes.

Estas e outras considerações que ficaram por enumerar, levam-nos a concluir que não compensa aos Contabilistas sacrificarem-se por uma demasiada dimensão das suas tarefas e da carteira de clientes, agravando o stress e a ansiedade perante a permanente vigilância que as escritas de sua responsabilidade impõem, não lhes valendo sequer a Fé perante os sérios riscos de saúde a que ficam expostos.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

PALAVRAS

(INÉDITO)

As palavras fluem e correm como rios,
Brotam do meu âmago quando respiro,
Aquecem os meus neurónios frios,
Refrescam o meu ego de vil martírio.

São cúmplices dos meus monólogos,
Já que desabafar não tenho com quem,
Apontam-me caminhos teatrólogos,
De encenação pessoal para ninguém.

Revejo-me nas minhas palavras ardentes,
Reencontro-me nas minhas mensagens,
Vivo na busca de surpresas permanentes,
Descubro, surpreso, respostas selvagens.

Insistente vou às palavras descobrir,
O que me atormenta é cego e mudo,
Tento sempre desabafar e não mentir,
Não recebo notícias, continuo sisudo.

Nas palavras encontro inspiração,
Para a vida enfrentar de peito aberto,
Conforto, coragem e transpiração,
Dizem em segredo que estou certo.

Não desisto, continuo a ler e a soletrar
As palavras que minha inspiração revelam,
Para sempre olhar, recordar e amar,
Tudo o que mal intencionados verberam.

Das palavras fiz obras por alguns admiradas,
Por outros lidas mas não reconhecidas
Resta-me o conforto das obras declamadas
Por mim construídas, ditas e sentidas.

Das palavras não desisto, eterno amor,
Construirei mil ideias e desejos irreais,
Fluir e flutuar no imaginário, sem temor,
Por toda a vida gravadas em memoriais.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A SOCIEDADE, O REGIME E O SISTEMA

(Inédito)

O futuro de Portugal e da maioria das Nações depende destes três arquétipos. A sua interacção resulta de uma cumplicidade e dependência permanente. O Regime e o Sistema, contrariamente ao que se imagina, devem a sua existência à Sociedade. Esta está segmentada na Sociedade Civil e na Sociedade Política. A primeira é a maioria, mas, por inúmeras razões, tem pouca participação activa, deixando esta acção e intervenção à Sociedade Política que permite a criação do Regime que por sua vez instala o sistema para servir de seu sustentáculo.

Os cidadãos, forças vivas, algo moribundas, acabam por perder as suas reais e legítimas capacidades de influenciar o regime nas políticas a adoptar, por motivos de ordem diversa, como o medo, a ignorância, a percepção da perda de poder e de influencia nas decisões, o sentimento de se sentir controlado e contribuinte líquido coercivo do Regime, através do seu braço dominador, o Sistema.

Por não se rever no Regime e repelir o Sistema, a Sociedade Civil manifesta o seu desagrado, declarando-se ausente das Eleições que lhes são impostas sem a sua audição prévia sobre os principais problemas que a afecta. Eis a razão porque houve um elevado grau de abstenção nas últimas Eleições Europeias e que virá a repetir-se nas futuras e próximas Eleições. Ninguém confia, nem acredita, sentindo-se simples espectadores e marionetas.

A ROTINA E OS RITUAIS

(Inédito)

A nossa vida é permanentemente uma rotina diária que utilizamos para levar a cabo a concretização da nossa ocupação e consequente realização pessoal. Durante a nossa rotina adoptamos e utilizamos rituais a que nos fidelizamos e com os quais nos passamos a identificar, dando verdadeiro sentido à nossa vida.

Os rituais, que vivemos com mais ou menos intensidade, mas com muito empenho e carinho, tornam a rotina mais suportável e menos fastidiosa. Com a progressão cultural e material ou a regressão que a vida poderá proporcionar-nos, alguns dos rituais vão-se aperfeiçoando e refinando no primeiro caso e perdem-se ou perdem qualidade no segundo caso.

Com o crescer da idade, este processo de transformação também vai aumentando, ficando pelo caminho parte dos rituais e com muito custo e sacrifício se vai adiando a sua exclusão por já não ser possível mantê-los. Este é o momento oportuno para que o idoso sinta os seus rituais supridos por outras compensações que os seus descendentes devem proporcionar-lhes, não os deixando ao abandono e esquecidos no seu canto. Deve estar sempre presente a consciência de que a rotina e os rituais constituem um processo natural que passa pela vida de todas as gerações.

DESCULPA...

SINGULARIDADES DA LÍNGUA PORTUGUESA

(Inédito)

Esta crónica vem no seguimento da busca encetada no Dicionário da Língua Portuguesa de termos polémicos para divulgação e reflexão das pessoas.

Há breves dias fui surpreendido pelo meu neto mais novo, Afonso, de 4 anitos. Na sequência duma brincadeira entre nós, magoou-me ligeiramente, mas a sua reacção foi pronta e surpreendente: “desculpa”, disse-me ele. Comovido, dei-lhe um beijo de agradecimento

Achei que este momento era digno de ser trazido a lume para servir de exemplo a muitos adultos que baniram para sempre do seu vocabulário este termo muito nobre da Nossa Língua. É pouco corrente escutar-se um pedido de desculpas por qualquer falta consciente ou inconscientemente cometida por alguém em prejuízo de terceiros. Antes, pelo contrário, os eventuais prevaricadores acham-se com razões para não se desculparem e exigirem justificações da parte verdadeiramente ofendida.

Esta atitude irresponsável e menos civilizada de se saber lidar com a verdade, recorrendo aos bons princípios que devem reger os nossos actos, são frequentemente esquecidos por quem se acha acima do convívio pacífico com a sociedade e comunidade em que está inserido. Por ficarem pedidos de desculpa no ar, o termo “DESCULPA” corre o risco de extinção, tal como outros princípios que foram relegados para segundo e terceiro planos. É mais uma das singularidades da Língua Portuguesa que se impõe preservar, através das novas gerações que o meu neto personifica.

INSÓLITO

SINGULARIDADES DA LÍNGUA PORTUGUESA

(Inédito)

Entre os milhares de vocábulos da Nossa Língua, o que serve hoje de mote à minha crónica é dos mais esquecidos, embora, por ironia, esteja sempre presente no quotidiano das nossas vidas.

Ao folhear os jornais ou fazer zapping pelos telejornais da televisão, somos surpreendidos permanentemente com notícias, comunicados, entrevistas, reportagens e imagens que são o insólito das realidades. Os personagens geradores destes acontecimentos deveriam ter reflectido sobre o significado do termo “Insólito”, antes de terem tomado decisões precipitadas, ofensivas e contrárias à normalidade dos seus actos, evitando contribuir para a deterioração de relacionamentos pacíficos com o seu próximo.

Hoje ninguém poderá invocar que a sua vida se rege por parâmetros de inteira normalidade, pois é exaustivamente confrontado com situações absolutamente “Insólitas”. Não seria necessário recorrer a exemplos, mas passo a ilustrar algumas anomalias absurdas que surpreendem e atormentam injustamente a tranquilidade dalgumas pessoas: é insólito, os atentados suicidas frequentes; é insólito o apetrechamento crescente das nações com armamento cada vez mais sofisticado; é insólito, as confrontações bélicas, violentas, entre seres humanos ditos “racionais”; é insólito ouvirmos e assistirmos partirem da boca de garotos insultos a um 1º ministro; é insólito um departamento do estado abrir um processo a um seu servidor por este ter desabafado com o Presidente da República sobre os seus dramas; é insólito, os senhorios estarem a pedir rendas excessivas pelo aluguer de espaços comerciais, inviabilizando muitas actividades, no actual contexto de crise geral; é insólito ver o crescimento incontrolável dos implantes mamários em pessoas que perdem a sua identidade física normal; é insólito o herdeiro de uma herança que se encontra por resolver em tribunal ser obrigado a pagar o imposto sucessório sobre a sua quota-parte que ainda não foi sentenciada; etc...etc...etc...

Se cada um de nós fizer uma análise aos factos com que diariamente se vê confrontado, verificará que é vitima de casos insólitos que poderiam ser evitados pelos seus causadores se estes reflectissem e ponderassem sobre o verdadeiro significado do termo “INSÓLITO”. Seria desejável que este vocábulo da nossa Língua entrasse em desuso e até pudesse ser banido do dicionário, deixando de ser uma das singularidades da Língua Portuguesa.