quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
GENTE QUE POR AÍ ANDA
Anda escondida empenhada em enriquecer,
Não se importando outra gente empobrecer.
Cruelmente.
Essa gente que por aí anda, na opulência,
Não abdica da sua provocadora traficância,
Valendo-se da triste reveladora ignorância,
Dos pobres.
Essa gente que por aí anda a urdir golpes,
Não aceita nunca compartilhar dos cortes,
Que atingem a grande maioria sem sortes,
Os indignados.
Essa gente que por aí anda impondo regras,
Para serem cumpridas de maneiras severas,
Mergulhando os pobres nas maiores trevas,
Sem esperanças.
Essa gente que por aí anda, iludida e farta,
Se não alterar a sua vil atitude e se retrata,
Pagará um preço muito caro e de bitola alta,
Sem cotação.
Essa gente que por aí anda, ainda na Terra,
Será castigada pela sua manipulação bera,
Não valendo os milhões que os enriquecera.
E outros empobrecera.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
CECÍLIA
Casaste e partiste para os Açores,
Durante toda a vida deixei de te ver,
Passei todo o tempo por ti a sofrer.
Eras bela, formosa e dedicada amiga,
Brincávamos juntos, manhãs inteiras,
No tempo em que a natureza se abria,
E connosco se aliava em brincadeiras.
O silêncio entre nós foi cruel e longo.
Deixou-me triste e desejoso de saber,
Se tua frágil saúde estavas a manter.
Sofri grande golpe de dor e pranto,
Ao saber que te finaste por doença,
Sem a minha tão imposta presença.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
AGUAS PASSADAS
Passaram velozes à minha frente
Indiferentes
Vi nelas bruscamente,
O reflexo do meu rosto
Perplexo e indisposto
Observando indefinidamente
O passado e o presente
Prevendo o futuro
Misterioso e secreto
Águas que ao passar não vão voltar
Levaram consigo os meus sonhos
Deixaram-me as recordações e o
Pesar
Alegrias, tristezas e esperanças
Diluídas no cacimbo das manhãs
Húmidas, de cheiros fortes, verdadeiros
Titãs
Águas tornadas imundas e turvas
De tudo com que consigo arrastaram
Fazem esquecer do quão tristemente
Sujas
Nem o filtro do tempo já ido
Purificou as águas conspurcadas
Levadas pela ira das chuvas para a
Eternidade
Águas que em turbilhão e velozes
Apressadamente correram para o mar
Fugindo dos demónios da Terra,
Atrozes
No oceano das recordações vivas
Na angústia, dos tempos, mergulhadas,
As águas encontraram por fim,
As Ninfas desejadas
A ORGANIZAÇÃO DO PAÍS
À excepção de algumas épocas, em que se fizeram tentativas para criar estruturas e ordenar o Pais, política e economicamente, nunca se conseguiu introduzir as reformas profundas indispensáveis. Esta situação tomou mais evidência depois de Abril de 1974. As reformas e a organização do Estado, que a transição de regime impunha que fossem feitas e que eram acalentadas pela maioria do povo, não se concretizaram.
Por falta de força política, o Estado teve de se subordinar a outros poderes, não conseguindo implementar as medidas propostas por algumas figuras de reconhecido mérito e competência. Outrossim, foram publicadas leis de cariz popular que criaram um clima de euforia danosa do património do Estado e Privado, de efeitos nocivos para o progresso da Nação. Tudo o que de bom existia foi destruído, ficando o Pais à mercê de leis a avulso, sem efeitos práticos. O estado ficou impossibilitado de organizar o Pais e passou a estar dependente de directrizes e recursos financeiros do exterior.
Esse grau de dependência aumentou na medida das necessidades do Pais, com a redução da indústria, da agricultura, da pesca, dos meios de transporte marítimos e da maior parte das actividades, culminando, mais recentemente, com a eliminação de grande parte do comércio.
Portugal deveria tomar, como exemplo, alguns Estados, em que destaco a Holanda e a Suíça, para fazer uma reforma política e organizativa do País. Se isto não for feito, jamais o nosso Pais encontrará o rumo certo, ficando desclassificado na arquitectura dos países mais desenvolvidos.
UM DIA NA FLORESTA
É o meu maior desejo viver,
Com os animais conviver,
E com eles aprender.
Macacos, gorilas, papagaios e elefantes,
Divertidos a saltar e a brincar,
Com eles confraternizar,
É bom saborear.
Vida exótica, primitiva e natural da Floresta,
Atrai-me para dele desfrutar,
Em convívio de bem amar,
Para sempre recordar.
Depois de longo e estreito convívio com a fauna,
Com saudades da densa e colorida flora,
Deixo a Floresta onde mora,
A minha memória.
Regressei ao Mundo da confusão e confrontos,
Já saudoso do tempo desfrutado de Paz.
Que passei na Floresta, divertido,
Momento merecido.
Era bom que o Mundo para sempre acabasse,
Para eu nunca mais sofrer a assistir
A tudo desmoronar sem resistir,
Por vontade já não existir.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
A GUITARRA E O FADO
A guitarra e o fado se acharam de amores.
Se juntaram para versos e poemas dizer,
Dos nossos muitos poetas e compositores,
De notável talento, competência e saber.
A guitarra e o fado de mãos entrelaçadas,
Com dedos do guitarrista entre as cordas,
E a voz do fadista em quadras timbradas,
Inundam as casas do fado a horas mortas.
Os aficionados do fado respeitam silêncio,
Para ouvirem com paixão a guitarra trinar,
O seu fadista preferido poder ouvir cantar.
A guitarra e o fado em tom saudoso de arrepio,
Entram animados noite dentro até altas horas,
Às vezes em desafios de bonitas desgarradas.
O MITO DE UM AMOR
Os caminhos eram longos e sem fim,
Iam em busca de algo que me fugia,
Sem saber para onde, triste de mim
Não encontrei nada, cheguei ao fim.
Ainda procurei por todas as paragens,
Por vestígios do que me interessava,
Nada eu encontrei, nem mensagens,
Continuei sem aquilo que me faltava.
O que me faltava, era um impossível
Amor que eu sempre desejei manter,
E que por maldade me deixou sofrer.
Fiz por esquecer o amor incenssível,
Nunca merecedor do meu sofrimento,
Abandonando o meu longo tormento.