quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A LIBERDADE DOS PÁSSAROS

Benditos os pássaros que voam em liberdade,
Ignorando os perigos que de perto enfrentam,
Que os homens lhes criam por pura maldade,
E as tempestades surpreendem e atormentam.

De inocentes e bem-dispostos que se revelam,
Os pássaros vivem desprendidos e bem felizes,
Com cantares e trinados sonoros se manifestam,
Dando largas à sua alegria de cores e matizes.

Gostaria de ser como os pássaros, aprendendo
Com eles a viver no Mundo dos Humanos, Feliz.
Não conseguindo com êxito alterar minha matriz.

As vicissitudes eram muitas e não percebendo,
Desisti de conquistar a liberdade dos pássaros,
Passei a simples espectador só e sem amparos.

VIDA HÁ SÓ UMA

Quando penso na minha vida, sinto, vejo
Que a vida passa depressa e só há uma.
Má sorte minha por aquilo que prevejo,
De bom e mau, mergulhado na penumbra.

Palavras e ideias cruzadas, sem tradução,
Não me oferecem garantias para o futuro,
Apenas dúvidas, má e manifesta confusão,
Da vida que é só uma e me deixa imaturo.

Vou no meu canto aguardar por notícias
Que tardam em chegar, enquanto a vida
Que é só uma não me for bem sucedida.

Até aos meus últimos e derradeiros dias
Viverei imbuído de mil sonhos e ilusões
Mesmo que não venha a tirar conclusões.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O ADEUS A CABINDA

Está na hora da partida, digo-te Adeus.
Jamais quero que seja por muito tempo.
Agarrarei tua mão entre os dedos meus,
Que a memória seja um bom momento.

Vou recordar com saudades o teu calor,
Abraços e lágrimas por nós partilhados,
Prometo guardar comigo o nosso amor,
Evitando que seja por outros roubado.

O Adeus não será para sempre, espero,
Conto voltar, ver-te e poder abraçar-te,
Com paixão e fervor conseguir beijar-te.

Aguardo esse momento em desespero.
Quando nossas mãos voltarmos a unir,
Não mais junto de mim te deixarei fugir.

LUGARES DE CULTO

Os meus lugares de culto foram muitos,
Variados e respeitados, tão apreciados,
Que tenho rancor de quem os destruiu.
Serão na Terra p’la providência julgados.

Do mercado à igreja passando pelos jardins,
Dos largos e acácias, de flores coloridas,
Das casas coloniais às praias sem confins.
Das roças e feitorias no interior erguidas.

Pouco ou nada já existe, pelo tempo perdido,
Património único e insubstituível, adorado,
Tal como a Terra foi afrontado e maltratado.

O pouco que restou foi cobiçado e apreendido,
Pelos malfeitores que de tudo se apoderaram,
Expulsando os donos do património que criaram.

O MEU VERDADEIRO PATRIMÓNIO

O meu verdadeiro património é humano,
Património que o tempo nunca apagará.
Seu nome universal é único, é Serrano,
E no sangue e na carne ele perdurará.

É tão valioso o meu douto património,
Que ódios e invejas lançam desafios,
Para o destruir no difícil promontório,
Que tem de atravessar com martírios.

Descobri enfim a minha maior riqueza,
Na cor da pele e nos seus sentimentos,
Tudo vencendo com muitos tormentos.

Sinto orgulho dos valores e sua pureza,
O cunho incalculável do meu património,
Perdurará, vencendo eventual demónio

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

TERRAS DE ÁFRICA

As terras de África tão variadas e imensas,
São de um encantamento e beleza sem igual,
Elas com seu feitiço nos prendem às lianas
De seus sabores, cheiros e vastas savanas.

As terras de África ciosas de belas mulheres,
Com seus panos coloridos e cabelo entrançado,
Seu filho às costas colado e bem resguardado,
Viva prova da pureza de sentimentos e saberes.

Quanto mais conheço África, mais desejo aprender,
Desvendar os seus profundos e exóticos mistérios,
Guardados por tradições e velhos sobas severos,

Espero voltar a África para deferências merecer,
A minha família e amigos poder abraçar e beijar,
E o fim da vida, com o dever cumprido, aguardar.

O MÉRITO DA MINHA IDADE

Ter idade é pertencer aos vivos com história,
Não ter cabelo ou tê-lo como um manto branco.
Ter atitudes correctas para alcançar a vitória.

Ter idade é saber o que quis e que ainda quero,
Estimar-me a mim próprio, respeitar o meu irmão,
Viver a vida todos os dias com a mesma ambição.

Ter idade é valorizar o meu património humano,
Transmitir-lhe valores e tradições familiares,
Boa educação, instrução abundante e saber amar.

Ter idade é ter sabedoria e dom para ensinar,
Merecer o respeito e saber a todos respeitar,
Coisas boas da vida contemplar e compartilhar.

Ter idade é ser paciente e muito saber esperar,
Ter consciência que a vida é para viver e durar,
Mesmo que alguma doença ou ofensa me atormentar.

Ter idade é fazer parte deste Mundo maravilhoso,
Que Deus me ofertou para dele desfrutar e cuidar,
Que a humanidade não acatou e tornou doloroso.