terça-feira, 6 de março de 2012

O MEU DOM

O meu dom não é de nobreza, é de afortunado,
Tenho o dom da escrita, sinto-me o Dom Juan
Da poesia por que me acho veras apaixonado,
Palavras as minhas sentidas e não apenas vãs.

Graças ao meu dom chega-me farta inspiração,
Para escrever crónicas e poesia com verdade,
Para que sejam lidas e reflectidas com atenção,
E não meramente lidas por simples curiosidade.

O meu dom também dá apetecível inspiração
Para amar, perdoar e oferecer generosidade,
A quem precisa de apoio e de autenticidade.

Não é fácil lidar com este dom como doação,
Enquanto alguns detractores da minha poesia,
Me criticarem sem razão e injusta cobardia.

PAÍS, ESTADO, NAÇÃO E PÁTRIA

Estamos perante quatro designações que nos parece querer dizer o mesmo. Todavia, para mim, cada um dos termos, na actual conjuntura universal, perde o seu significado comum para ter um significado próprio. Eu, que me tenho escusado a abordar temas de feição políticos, não resisti a tratar deste tema de acordo com a minha perspectiva e o meu sentimento pessoal.

Neste quadro actual político mundial, a componente financeira tem supremacia sobre todos os outros domínios, valendo-se da globalização para controlar os países de economias débeis. Portugal, como País europeu dependente da EU, é dos países que, pela sua fragilidade, foi vítima da globalização que o subjugou com as suas imposições e controle absoluto.

O Estado, detentor dos órgãos governativos, perdeu grande parte da sua autonomia constitucional por ter que cumprir com as regras fixadas pela troika. As leis que publicam são muito limitadas e têm a finalidade principal de agradar à troika.

A Nação que deveria ser a mesma que foi criada há nove séculos, está a perder as suas características por alienação de muito do seu património, tanto material como imaterial. Sinto que o povo português não se revê no País, Estado e Nação que até aqui era muito seu, revendo-se agora apenas na Sua Pátria que é una e inalienável. A Pátria não tem preço.

Eu deixei de acreditar na justiça social e recuperação da qualidade de vida a que tenho direito como a maioria dos portugueses. No meu caso particular, a minha vida tem sofrido reveses constantes: a perda do meu património material, em Cabinda, de cerca de cinco milhões de euros; a transferência da maior parte do meu património familiar para o estrangeiro: parte de uma herança com transitado em julgado para resolver, há cerca de 10 anos, de cerca de 150.000 euros; o pagamento obrigatório do imposto sucessório da minha parte na herança, antes dela ter sido resolvida; o congelamento da minha pensão de 392,50 euros mensal, depois de ter trabalhado durante 59 anos; a perda gradual de isenções e outros benefícios a que deveria ter direito por auferir pensão abaixo do salário mínimo, etc., etc…

Com todas estas realidades, comungo da mesma opinião do eminente professor e pensador José Gil, de que Portugal caiu num imenso vazio, e que eu acrescento, que apenas nos resta a nossa Pátria. É a ela que temos de nos manter ligados de corpo e alma para conservarmos a nossa identidade, único bem valorado que não podemos perder,

Será que podemos ter alguma esperança de Portugal, para além da Pátria, poder conseguir ultrapassar este momento de profunda crise, recuperando o estatuto de País e de Nação como Estado de direito reorganizado, implementando as leis mais justas para todos, passando a ser respeitado pela comunidade internacional?

segunda-feira, 5 de março de 2012

NADA, TUDO OU MEIO-TERMO

Entre o nada e o tudo devemos escolher o meio-termo.
O nada é o vazio completo, sem conteúdo,
Tudo, é demasiado, é soberbo,
Meio-termo é sisudo.


As pessoas que optaram pelo nada, não têm ambições.
As que quiseram tudo, criaram puras ilusões,
As que escolheram o meio-termo,
Merecem um prémio.


Do nada, não se vive, vegeta-se e não se tem projectos.
Também o tudo é demasiado ousado,
Antes o meio-termo doseado,
Sem espectros.


Vejo muita gente que não faz nada na vida, conformados,
Esperando receber tudo que necessitam.
Com o meio-termo são confrontados,
Nos erros meditam.


Depois de muito sofrerem a depender do nada, com receio,
Optam por querer o extremo de tudo,
Ficam-se pelo meio-termo
Caso bicudo.


Assim vai a humanidade que que não tem nada para viver,
Protesta e reivindica tudo o que ambiciona,
Acabando por aceitar e apenas querer,
O meio-termo com que sonha.

VOA VOA, VÊ ONDE POUSAS

Soneto que dedico aos meus netos e bisnetos

Sempre que levantares voo, sabe onde pousas,
Ouve os teus pais que voaram antes de vocês.
Já que as vozes destes avós não são escutadas,
Podes sofrer desenganos e irreparável revés.

Voar demasiado cedo é perigoso, dá surpresas,
Enfrentas gente sem escrúpulos, exploradora,
Podes ficar durante muito tempo sem certezas
De te radicares no lugar de maneira duradoura.

Se precisares de voar para longe, deves saber
Voar baixo e não muito alto, é muito perigoso,
A queda é maior e o prejuízo e dano doloroso.

É preciso saberes avaliar o teu risco e antever
Pior cenário do que esperavas vir a encontrar,
Para não sofreres desgostos difíceis de sarar.


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AMOR SECRETO

Enviei uma mensagem à minha amada,
Nas asas de uma linda pomba branca,
Os ventos fortes impediram a chegada,
Fiquei sem resposta e sem esperança.

Não sei porque fui impedido de amar,
Tão bela donzela inocente que sonhava
Ser minha alma gémea e poder voar,
Para vir ter comigo como ela desejava.

Insisti com nova mensagem secreta,
Enviando pelo Oceano das correntes,
As minhas amargas lágrimas ardentes.

Respondeu-me com alegria manifesta,
Desejando viver comigo no meu tecto
Para usufruirmos nosso amor secreto.

domingo, 4 de março de 2012

A MINHA RUA


A minha rua já não é a mesma que eu conheci,
Rua dos Cavaleiros de Cristo, só tem o nome,
Era uma rua calma sem carros como eu a vivi,
Hoje é barulhenta, sofre de perigosa síndrome.

Três décadas passadas são as mesmas pessoas.
Sem se conhecerem, mal se cumprimentando,
Entram e saiem dos prédios como em canoas,
Em águas turvas contra a corrente navegando.

Muitas acabam por naufragar a meio caminho,
Levam consigo remorsos, deixando heranças,
Depois de uma vida passada sem esperanças.

Partem para a eternidade sem nenhum carinho,
Apenas chorados e lembrados com hipocrisia,
Por aqueles que o testamento lhes dá garantia.

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A CATEDRAL DE BAMBUS




Descobri uma Catedral de bambus, no rio Fubo,
Em Cabinda, onde meu pai quis ser sepultado.
Naquele lugar sagrado que celebra o passado,
Em que deslumbrados ficamos alheios a tudo.B

Os bambus em arco a proteger as águas do rio,
O cantar dos pássaros em sinfonia harmoniosa,
Convidaram-me a uma oração de fé e saudosa.
De tributo a meu pai, embora em tempo tardio.

O rio respondeu-me com o seu som barulhento,
Correndo, transparente entre cascalho e areias,
Com as suas águas benzi-me, pedindo a Deus,

Para proteger aquele lugar do ataque violento,
Dos homens ávidos de destruírem a Natureza,
Usando de armadilhas e disfarçada subtileza.