quinta-feira, 17 de maio de 2012

OUTONO CINZENTO


As manhãs nasceram cinzentas e húmidas,
As árvores despiram-se das folhas caídas.
As aves voaram para longe, autodirigidas,
As pessoas, de reais, passaram a múmias.

Perdem-se esperanças, caíram projectos,
Da família, restam saudades e os afectos,
Longe, desfrutam outras oportunidades,
Aproveitando climas e outras realidades.

O tempo não acaba de vez com o Outono,
Outras estações se seguirão, mais amigas,
Que relançarão a vida para melhores dias.

Com o Inverno, não me sinto ao abandono,
Vivo à espera do sol quente da Primavera,
Para no Verão me aquecer como desejara.


quarta-feira, 16 de maio de 2012

AMOR RECUSADO


Rosto angélico, cabelo solto, olhos doces,
Ombros descaídos, nariz arrebitado, peito
Arfante, lábios sensuais, de corpo esbelto
E sedutor, era a mulher dos meus sonhos.

A ela fiquei rendido sem coragem e tímido,
Para lhe confessar como tanto eu a amava,
Com a retribuição do carinho que esperava
E que eu gostaria que me fosse prometido.

Implorei que me concedesse o seu amor,
Ela mais uma vez recusou o meu pedido,
Disse-me ter seu coração comprometido.

Fiquei chocado ao saber que a linda flor,
Por quem eu me apaixonara, esmorecera,
Acabando sua vida desprezada e solteira.

terça-feira, 15 de maio de 2012

O MEU FADO EM PALAVRAS


O meu fado não tem música, só tem letra.
Letra escrita com muito suor e lágrimas,
Lágrimas amargas da minha vida sofrida,
O meu fado ficará gravado em estatueta,
Para eternizar o meu nome e as chagas,
Que me deixaram no coração uma ferida.

Não tenho voz nem sei cantar a música,
Que devia acompanhar meu fado escrito,
Minha voz faz ouvir bem alto minha letra,
Dos meus queixumes, da minha tortura,
Gritarei para todos ouvirem, não desisto,
A minha voz do meu sofrer será estafeta.

Acompanho meus lamentos com fadistas
Que me cantam fados que não sei cantar,
Fados que me fazem sentir maior prazer,
Para minhas letras serem melhor escritas,
Os guitarristas põem as guitarras a chorar,
Solidários comigo no sentir do meu sofrer.

Tenho pena de meu fado não saber cantar,
Não tenho voz, nem vocação para musicar,
Já cumpri meu fado, o tempo mal me tratou,
Fazer o que eu mais queria não me deixou,
Estudar mais e aprender música inspirada,
Era meu maior desejo para ser relembrada.

domingo, 13 de maio de 2012

MENTIRAS


As mentiras são muitas e maldosas,
São verdades disfarçadas de ódios,
Insensatas, são terríveis, injuriosas,
Tratam as pessoas como pacóvios.

As mentiras tornaram-se vulgares,
São verdades que não se contam,
Só te deixam triste, a te torturares,
De tantas mentiras que te lançam.

Quem mente tem sucesso na vida,
Não havendo alguém a desmentir,
Com receio de desgostos a atingir.

Assim, sendo a mentira tão fingida,
Acaba por ser bem desmascarada,
Passando à verdade, tão desejada.




quarta-feira, 9 de maio de 2012

DESLUMBRAMENTO

 SONETO DEDICADO ESPECIALEMTE
À JUVENTUDE

A vida é de um constante deslumbramento.
Ficamos deslumbrados com os momentos
Bons ou maus que passam por tormentos.
Ou por alguma surpresa e contentamento.

Ficamos deslumbrados por tudo e por nada,
O deslumbramento faz parte da nossa vida,
Por vezes deixa-nos a nossa vista toldada,
Sem explicações e a viver na maior dúvida.

Não sei como esquecer o deslumbramento,
Perigosa e louca tentação que me assedia,
Para me humilhar sem qualquer assimetria.

Vou resistir com coragem ao seu vil intento,
Ao desvalorizar a sua acção de crueldade, 
Encarando a vida com toda a naturalidade.


terça-feira, 8 de maio de 2012

ENTRE A LUZ E A SOMBRA


Vivo entre a luz e a sombra, hesitante,
Se a luz me iluminará o meu caminho,
Se vai ser a sombra minha dominante,
Vou pedir ao Sol e à Lua seu carinho.

Entre a luz e a sombra, escolho a luz,
Ela orienta com razão o meu destino,
É ela que me dá coragem e me induz,
A decidir sobre meu futuro com tino.

A luz sobrepôs-se à sombra e brilhou,
Dando à minha vida maior esperança,
Enquanto a sombra foi desesperança.

A luz meus projetos de vida suscitou,
Incutiu-me coragem para reciprocar
O património material pelo familiar.


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segunda-feira, 7 de maio de 2012

O MEU SILÊNCIO


Troco palavras com o meu silêncio
Confesso-lhe as minhas tristezas.
Peço-lhe ajuda para as incertezas
Que me deixam um grande vazio.

O silêncio é o meu melhor amigo,
Faz-me companhia a toda a hora,
É com ele que eu sinto incentivo
Para me defender da má desonra.

Já combinei com o amigo silêncio
Assinarmos um pacto até à morte,
Para continuar a usufruir da sorte.

Pedi ao silêncio, segredo de amigo,
Para as confidencias que guardo,
Porque em ninguém, então confio.