quarta-feira, 5 de setembro de 2012

DUNAS E FLORESTAS


Para lá das dunas, fica a África misteriosa e densa,
Encerra histórias e enigmas ainda por se decifrar,
As areias movem-se mas não vencem as florestas,
Que não se abrem, erguendo uma barreira intensa,
Aos aventureiros que arriscam tudo para as atacar,
Evitando sofrer certas invasões fortuitas e nefastas.

As dunas mudam de lugar de repente, são nómadas,
Não têm pouso certo, vivem do vento que as move,
As suas areias, intrusas, invadem às vezes, cidades,
Deixam em pânico as populações com as investidas,
Além de espalharem areia fina, em fortíssima dose,
As dunas, traiçoeiras, surpreendem com maldades.

Do confronto, dunas e florestas ficam empatadas,
Ambas enfrentam o mesmo inimigo, o ser humano,
Utilizam os longos desertos e as possantes árvores
Para travarem as ações dos homens, desaustinadas,
Que se sentem nómadas errantes, como um cigano,
Achando que é tudo imaginação e não são verdades.



terça-feira, 4 de setembro de 2012

QUEIMADAS E INCÊNDIOS


Há diferenças profundas entre as queimadas de África
E os incêndios doutros lugares da terra, que grassam.
As queimadas têm encanto e beleza e nos enfeitiçam,
E os incêndios são aterradores, de provocação ácida.

As queimadas tingem as noites de vermelho bem vivo,
Afugentam os animais perigosos e limpam os matagais,
Os incêndios queimam tudo à sua frente, sem piedade,
Destroiem casas, empresas, culturas e matam animais.

As queimadas de África são especiais como o arco-íris,
Surgem de tonalidades vermelhas, iluminando as terras
Que as populações defendem com asseio, sem arrepios.

Os incêndios desertificam terrenos, concorrem com sóis,
Provocam sérios danos, com os habitantes, como feras,
Que nunca cuidam e limpam seus matos, como lençóis.



PROCURO PALAVRAS


Procuro palavras para as juntar no meu puzle
Com forma, sentido e ritmo, mas falta o tema,
A noite de vigília vai longa, faltando o teorema
Para encontrar a rima, a cadência e o poema.

Vou à minha imaginação buscar as palavras
Pego nelas mas jamais as consigo interligar,
Para exprimir as minhas ideias e as publicar,
Dando a conhecer verdade difícil de amargar,

Os temas são muitos, confusos e controversos,
Versam sobre assuntos misteriosos do mundo,
Que tento ir buscar a um longo poço sem fundo.

Acabo por juntar palavras em diversos versos,
E transmitir o meu sentir por tudo que eu vejo,
De bom e de mal que quase sempre antevejo.



O MEU SOFÁ



Tenho um sofá na minha sala que não é só meu,
É de todos, filhos, netos e bisnetos e também eu
Me sento nele para ver televisão, ler e conversar,
Todos o disputam quando estou para me afastar.

Tudo o que observo do meu sofá, me sensibiliza,
Contradições da sociedade em que nós vivemos,
De momentos violentos e cruéis que nos hostiliza.
Inspiram-me a escrever no IPAD muitos temas.

Não troco o meu sofá por nada mais do Mundo,
É insubstituível e meu único amigo, inseparável,
Tornou-se confidente e meu assento confortável.

Continuo a repartir o meu sofá pelos familiares,
Todos se sentem bem nele, sentados, curiosos,
Com acontecimentos que seguem, misteriosos.





sábado, 1 de setembro de 2012

IMAGINAÇÃO


Penso, divago, imagino muita coisa diversa,
Tenho medo de mim próprio, das fantasias,
Que me imagino no cenário de uma floresta,
Envolvido por plantas, pássaros e cantorias.

Imagino que estou na floresta do Maiombe,
Rodeado de árvores, plantas e alto capim,
Não sei bem em que ponto estou, aonde,
Só sei estar algures, tenho medo de mim.

Vieram ter comigo, mulheres belas e nuas,
Tinham-se banhado nas águas de um rio
Queriam passar momentos bons comigo.

Recusei tão descarado desafio, eram luas
Que eu imaginava no céu, de passagem
Para novo dia, simples a minha miragem.





RIO LUCOLA


Homenagem que presto ao rio da minha vida,
onde aprendi a nadar e tomei muitos banhos.

Rio emblemático de Cabinda, com águas quentes,
Onde as crianças se banham divertidas e a reinar,
Tempos de criança que eu não deixo de recordar,
Com vontade de participar em jogos envolventes.

Os caranguejos saíam dos buracos para passear,
Corríamos depressa atrás deles para os apanhar,
Eles fugiam de nós e desapareciam de repente,
Voltávamos para a água, para a maré enchente.

É bonito ver os meus patrícios naquele belo rio,
Divertindo-se, para esquecerem suas tristezas,
Vida difícil que passam sem ceder a fraquezas,
Conservando sua personalidade e seu vivo brio.

O rio Lucola faz parte da vida dos meus patrícios,
Que dele cuidam e aproveitam para se banharem,
Fazendo esquecer tristezas e a tentação de vícios,
Que desgraçam muita gente, sem nunca evitarem.




A ILHA DOS DESAJUSTADOS


Bem longe da civilização existe a ilha dos desajustados,
Nela vivem pessoas que jamais têm algo de civilizados,
Não sabem viver em sociedade com educação e regras,
Seu comportamento é provocatório e exercido às cegas.

Foram deportados para aquela ilha para se regenerarem,
A fim de poderem viver numa sociedade mais igualitária,
As dificuldades por que passam, parece ser uma solitária,
Em que se sentem marginalizados e nada ambicionarem.

Depois de longa deportação, são muitos os arrependidos
Que se reabilitam e voltam a viver livres, em sociedade,
Retomando a vida normal construtiva, sem ambiguidade.

Constituem família, constroem alicerces, fazem amigos,
Dedicam-se a muitos e bons ofícios, tornam-se criativos,
Passam a defender ideais, com muito sucesso atingidos.