sábado, 17 de agosto de 2013

FUZILAMENTO


O pelotão alinhado, aponta as armas ao condenado,
Aguarda a ordem para disparar, passam segundos,
À vítima parecem anos, irá conhecer os Mundos
Que em jovem desejara, seu sonho materializado.

Naquele último momento a sua cabeça fervilha
De recordações dos seus amores e da partilha
Dos seus beijos e abraços, de tudo que era belo,
E que agora nada vale o que era, sonho desfeito.

As armas recebem as balas na câmara da culatra,
Os soldados fazem apontaria, não irão eles falhar,
Toca a corneta em alto som p’ro castigo anunciar,
É mais uma vida perdida que o Mundo desbarata.

Um bater firme de botas, faz anunciar o oficial
Que irá dar a ordem de disparar, é o momento
Final. Disparar…ordena o superior, suspenso
Fica o respirar do condenado que cai p’ro lado.

Ruy Serrano, 18.08.2013

RIO ZÊZERE


Das entranhas da Serra da Estrela, nasces cristalino,
Gelado e cheio de vida, corres lesto p'la serra abaixo,
Nas calendas da calmaria dos fraguedos e arvoredos,
Desbravas com determinação, teu agreste caminho.

Teu objectivo é chegares ao teu mar p'ra te libertares
Da terra, que por vezes te trata mal, contaminando
Tuas águas límpidas, inofensivas, que nas encostas,
Beijam o arvoredo, alimentam os animais e árvores.

Convives com a fauna e flora, em estreito diálogo,
És o esplendor da vida dos vales que tu banhas,
Parte da tua água se infiltra nas suas entranhas,
Dão vida às culturas que crescem e florescem.

Recebes no teu colo riachos, ribeiros e o rio Nabão,
Enches a barragem de Castelo do Bode e te juntas
Finalmente com o Rio Tejo, na vila de Constância,
Seguindo em lua-de-mel festejada, p'ro  Atlântico.

Ruy Serrano, 17.08.2013

SENTIMENTOS FERIDOS

Sinto-me como um passarinho ferido na asa,
Que perdeu o seu voo e vive aprisionado,
Numa gaiola de ingratidão e amargurado
Como se tivesse sido queimado por brasa.

Sinto meus sentimentos feridos, a sangrar,
Por palavras afiadas que de má, lançaste,
Feridas que persistem e não querem sarar,
Vida que em maldito inferno transformaste.

Sei que és indiferente ao meu sofrimento,
És durona, insensível, escondes a razão,
Não sei porquê, com que real intenção,
Só sei que me condenaste a um tormento.

Resta-me a bênção de Deus e a graça
De Nossa Senhora, p'ra ter a mente
E o corpo resistentes a tanta desgraça,
Esquecendo o meu amor p'ra sempre.
Ruy Serrano, 17.08.2013

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

TU ÉS O MEU POEMA

Tu és o meu poema, aquele que quis escrever,
Mas que não consegui antes de te conhecer.
És o meu poema, tal como te idealizei, o amor
Que te envolve como auréola de muito ardor.

Tu és o meu poema, o melhor que construi,
Inspirado na tua formusura, enamorado de ti.
Escrevo melhores versos, escolho palavras,
Que vou recolher às férteis das tuas lavras.

Tu és o meu poema, quero-te p’ra toda a vida,
Minha poesia desejo escrever por ti e p’ra ti,
Quero sentir-me poeta e não ter o estigma,
De ser aprendiz de poesia, sem nada de mim.

Tu és e serás o meu verdadeiro e belo poema,
Que toda a vida, ambicionei escrever, a dois,
Escreverei até tua fonte secar, meu dilema,
Não pensarei no futuro, viverei o dia d’hoje.

Ruy Serrano, 16.08.2013, às 07:20 H

QUANDO AS NOITES SÃO DIAS

Trago-te na lembrança, tiraste-me o sono,
A noite estende-se ao meu lado, desperta,
Fez do meu sono refém e tu minha amante,
Juntaste-te a mim na minha cama, sedenta.

A noite não tem fim e tu abraçada a mim,
Fazendo amor toda a noite, doce amada,
Esquecendo o tempo, chega a madrugada
E nós num enlevo entre lençóis de carmim.

       Quando as noites são dias, é tão bom viver,
A lua cheia acaricia-nos, a frescura da noite
Arrefece nossos ânimos de acesas carícias,
De momentos belos com as tuas malícias.

Desejo o meu a noite não acabar e o dia
Nunca mais chegar, p’ra eu me deleitar,
Com um permanente sonho de desejos,
De abraços apertados e de doces beijos.

Ruy Serrano, 16.08.2013, às 05:30 H

FALSIDADES

Temo as falsidades,
Por não saber donde vêm.
As falsidades são venenos,
Que não matam, mas atormentam,
Não sei como as evitar,

As falsidades não têm corpo, nem rosto,
Disfarçam-se de verdades,
Lançam acusações e vaidades,
O meu descrédito e mau nome,
Não me poupam.

Toda a vida fui vítima de falsidades,
Umas leves outras mais graves,
São como punhaladas que ferem,
E me deixam cicatrizes,
Que não consigo disfarçar.

As falsidades não acabaram,
Não deixam de me atacar,
Paro um pouco p'ra respirar,
Não sei donde chegam e de quem,
Como devo reagir, a mal ou a bem?
Ruy Serrano, 13.08.2013

LUZES E SOMBRAS


O meu pensamento iluminou-se momentaneamente com a claridade que invadiu os meus neurónios. Imaginei-me num Mundo puro, em que a quietude e silêncio do momento, me davam esperanças de um futuro de Paz e Reconciliação. Não nos meus dias, mas dos meus descendentes, acreditei que aquelas luzes que se acenderam, haveriam de perdurar. Fiz então projectos, construi a minha vida com objectivos e dei forma aos meus patrimónios material e familiar, cumprindo com as regras impostas pelos meus direitos, respeitando os direitos de terceiros. Pura ilusão... Tudo não passou duma sensação transitória e de impotência pela concretização dos meus objectivos.

Bruscamente, as luzes foram-se desvanecendo, acabando por me mergulhar num ambiente surreal de sombras. De princípio, não querendo crer nessa nova verdade, subsistiram dúvidas se não seria apenas um pesadelo passageiro. Enganei-me. As piores consequências atingiram-me irremediavelmente, não me dando qualquer margem para me recompor e recuperar da catástrofe. As forças do mal tinham apagado as luzes e mergulharam-me na escuridão, desde há 34 anos, que me parecem séculos. Não mais me foi possível ter acesso à livre iniciativa, ao espírito criativo e à passagem do testemunho do meu património material aos meus legítimos herdeiros. Com o apagar das luzes e o emergir da escuridão, fui desvalorizado, passei humilhações e apenas me restou a recordação do passado e o orgulho do dever cumprido, sem a merecida compensação.

Ruy Serrano, 28/12/2010, do Livro EPICENTRO