sábado, 21 de janeiro de 2017

BRINCADEIRAS NO MEU QUINTAL

Dando largas ao meu contentamento,
Brincava no meu quintal, dia inteiro,
Com meus amigos, valioso sustento,
Jogando e correndo, nosso recreio.

Era às escondidas, à bola de trapos,
Ao saltar à macaca, à cabra cega,
Passávamos o tempo fascinados,
Com as brincadeiras, sem tréguas.

As brincadeiras eram assim muitas,
Não tinham fim, eram a nossa delicia,
Sempre unidos, magia de todo o dia,
Acabavam noite dentro, à luz da lua.

Tanta saudade dessas brincadeiras,
Eu guardo na minha alma, memória
Daquele tempo, como uma cegueira
Que nos atingia, sem deixar história.

Ruy Serrano - 22.01.2017

domingo, 27 de novembro de 2016

ESTOU AQUI...

Estou aqui, aqui estarei,
De ti nunca eu desistirei,
És o sangue do meu sangue,
Fazes parte da minha vida,
És uma grande mais-valia.

Enquanto tivermos valores
A defender, não cederemos
A tentativas de subversão
Do crer e da nossa razão.
Os obstáculos venceremos.

A nossa razão subsistirá
Para além das intrigas,
Até a verdade se revelar,
E o mau tempo passar,
Com os melhores dias.

Estou aqui todo o tempo
Que a vida me permitir,
Para poder inda assistir
À justiça que será feita,
Com a medida perfeita.

Ruy Serrano - 28.11.2016


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

ANA MOURA E O BAILARINO

Extasiado fiquei com esse momento,
De fado sentimental,
E dança monumental,
Executada pelo teu bailarino,
Elegante e expressivo.

Foi um momento único
De arte e fado em uníssono,
Na tua vós doce e quente
E na dança criativa e alusiva
Verdadeiro hino à vida.

Como bela feiticeira,
Encantaste-me e me seduziste,
Não resisti, fiquei triste,
Por não passares de pura miragem
Com tua silhueta na outra margem.

Ao menos uma única vez,
Gostaria de te ter tocado
Para te sentir a cantar o fado.

Ruy Serrano - 12.11.2016

CARTA ABERTA À PRESIDENTE DA CÂMARA DE TOMAR

Dirijo-me a V. Ex.cia pelo direito que me assiste como munícipe do concelho de Tomar e cidadão livre deste País, de lhe manifestar o meu vivo repúdio pela maneira como tem conduzido o seu mandato à frente da nossa Edilidade.
A minha idade madura e probidade pessoal reforçam esse meu direito por constatar factos e acontecimentos que desde o início das suas funções se vieram desenrolando através das suas decisões irresponsáveis e contrárias ao seu manifesto eleitoral. Os  cidadãos que a elegeram sentem-se maioritariamente desiludidos por terem acreditado que desta vez a Câmara iria ter alguém capaz de a recolocar no lugar a que tem direito no âmbito nacional, como já teve no seu passado de há algumas décadas.
Sendo mais concreto, refiro-me, principalmente, ao facto de desde o início do seu mandato ter optado por retirar competências a certos funcionários da Câmara que mereciam mais respeito. Ao invés, deveriam esses colaboradores ter sido mentalizados a colaborarem numa outra maneira de exercerem as suas funções, enquadrados na nova política camarária. Assim, verifica-se que a sua preocupação foi despromover os colaboradores qualificados e promover outros colaboradores que embora de qualificação duvidosa, não reuniam condições e unanimidade para os lugares que vieram a ocupar. Esta sua política protecionista, culminou recentemente com a demissão do cargo de vereador do arquitecto Rui Serrano. É conveniente recordar que este técnico de reconhecida competência foi convidado por V. Excia. a fazer parte da sua lista eleitoral para reforçar a sua proposta e que muito contribuiu para que o seu partido ganhasse as respectivas eleições. Eu próprio, como muitos outros munícipes que nunca havia votado no P. S., votei no seu partido porque lá estava o Rui Serrano. Não se trata apenas de sensibilidade paternal, mas também de confiar nos seus méritos e competência na sua área de arquitectura como deixou demonstrado pelos quatro anos que esteve como vice-presidente da Câmara de Abrantes. Tendo o Rui Serrano, como é lógico, renunciado oportunamente aos respectivos pelouros dessa Câmara (que geria com dificuldade e contrafeito, pela oposição sistemática de  V. Ex.cia às suas propostas válidas), pergunto quem irá substituí-lo na árdua tarefa a que abnegadamente ele se entregou, para restituir ao concelho, principalmente à cidade de Tomar a dignidade que merece?
Para além do muito que ainda conseguiu fazer e o que fica por fazer, o seu nome ficará ligado a esta Câmara, como personalidade isenta e bem intencionada que desempenhou o seu cargo discretamente, afastado da ribalta e dos flashes e manchetes políticos. Impõe-se agora V. Excia. esclarecer os motivos que a levaram a despromover o seu vice-presidente e usou de todo o seu poder para bloquear as iniciativas do Rui Serrano. fazendo o ponto da situação do que ficou feito e do que estava em suas mãos para fazer. Isto é o mínimo a que os munícipes têm direito de saber.
Embora, pessoalmente eu deseje um fim feliz do seu mandato, prevejo com muito pessimismo que V. Excia. não conseguirá a sua revalidação, o que irá  afectar profundamente a imagem do seu partido neste concelho e até ao nível Nacional.
Quero deixar bem claro que o sentido desta minha carta teve origem principalmente, na obrigação que senti de ser porta-voz dos munícipes descontentes que se retraem a manifestar a sua opinião livre e democrática. Tenho dito.
Respeitosamente, subscrevo-me,

Ruy Moreira Henriques Serrano.
Munícipe residente em Tomar há 41 anos,
tantos anos como os vividos em África.

Tomar, 22 de Novembro de 2016

sábado, 30 de abril de 2016

PARA LÁ DO HORIZONTE

Nesta senda do progresso, o horizonte
Encerra um grande mistério, é secreto
E ninguém o consegue atingir, apenas
Se sabe que de surpresas está repleto.

Para lá do horizonte há outro mundo,
Diferente deste em que eu inda vivo,
Este mundo corrupto, estéril, imundo,
Não é de confiança, nem é merecido.

Para lá do horizonte estão as esperanças
Que me restam duma vida enganadora,
Vivida durante décadas, tão sonhadora,
Que não passaram de cenas burlescas.

Ninguém alcança o fim deste horizonte,
É proibido saber o que está para além,
O homem tem de merecer o horizonte
Que se abre para lá de qualquer monte.

Ruy Serrano - 30.04.2016

sexta-feira, 29 de abril de 2016

GENTE ANÓNIMA

Neste Mundo mal tratado, em que vivemos,
Há gente anónima de que nos esquecemos,
Parecem ser doutro Mundo e não do nosso,
Tão desprezada é, que se sente num fosso.

Por vezes penso que a essa gente pertenço,
Por ter passado anónimo e sem ser tocado
Pela sorte que a outra gente terá chegado.
Com grande esforço, sem ânimo, arrefeço.

Na esperada Arca de Noé que Deus enviar,
Terá lugar toda a gente anónima sobreviva,
Que com os animais vão ter uma nova vida.

No Além serão bem acolhidos para reiniciar
Outro ciclo de vida diferente, em que justiça
Será aplicada, sem descriminação mestiça.



Ruy Serrano – 29.04.2016

domingo, 3 de abril de 2016

FECHA A PORTA


FECHA A PORTA

Fecha a porta, fiquemos só nós,
Vamos esquecer o Mundo,
Ele é dos loucos
Não é o nosso.

O nosso Mundo é muito diferente,
É o verdadeiro, o mais real,
No nosso não se mente,
O outro é muito mau.

Fecha a morta, não deixes entrar
Ninguém que nos perturbe,
Vamos nós aproveitar,
Tudo que nos une.

A porta fechada dá-nos segurança,
Deixa-nos à nossa vontade,
Dá-nos muita confiança,
És minha cara metade.

Eu e tu com a porta sempre fechada,
Estamos mais seguros da vida,
Não dependemos de fachada,
Vivemos de magia.

FECHA A PORTA, DEIXA BATER

Ruy Serrano - 04.04.2016