terça-feira, 18 de julho de 2017

TOMEI O PAÍS EM ANDAMENTO


Cheguei ainda a tempo,
Tomei o país em andamento,
Numa velocidade descontrolada,
Com a dívida desmesurada.

Tenho de me agarrar
Para não sair do país, 
Não sei que mal eu fiz,
Nem a quem me queixar.

Não sei quem manda,
São tantos os ministros,
Os secretários de estado sinistros,
Cheira mal que tresanda.

Não posso nada reclamar,
Corro o risco de ser punido,
E à prisão ir parar,
Se eu morder o isco.

Falar ou escrever é arriscado,
Serei certamente castigado,
E ficar interdito de protestar,
Para ser condenado evitar.

A velocidade do país 
Diminuiu, é mais lenta.
À custa de água benta,
Não perderá a matriz.

Só me resta uma solução,
Deixar o país de vez,
Emigrar para o sertão,
Usando de sensatez.


Ruy Serrano - 19.07.2017

AMANTES DA NOITE


Na obscuridade da noite,
À meia luz do candeeiro,
Tiramos do mealheiro
O nosso amor de sorte.

No travesseiro em relaxe,
É nosso sensual encaixe,
Unidos num único corpo,
Como a água num copo.

Umedecemos os lábios,
Com os nossos beijos,
Verdadeiros astrolábios 
São os nossos desejos.

A noite é assim tão longa,
Não se vislumbra seu fim,
Não é doença, é peçonha,
Delicada peça de marfim.

Somos amantes da noite,
A noite é toda para nós,
Deitados no nosso leito,
Somos dois e não sós.


Ruy Serrano - 18.07.2017

A MINHA ÂNCORA


Lancei a minha âncora num porto de abrigo,
Deixei o meu barco numa baía, escondido,
Não fosse descoberto e depois afundado,
Para não mais por mim poder ser utilizado.

Esse barco veio vazio, sem bens materiais,
Apenas trouxe a minha família e memórias
Que guardo, por serem documentos reais.
Tudo o que ficou para traz são só histórias.

Histórias que me custa recordar, tão cruéis
Como se fossem contadas pelos coronéis
Que mandaram fuzilar tanta gente inocente,
Naqueles dias negros da pré-independência.

Tão depressa não irei levantar essa âncora 
Do meu barco, por não haver outro destino,
Vou guardar o pouco que me resta no canto
Dum sítio mui secreto, só por mim conhecido.

Ruy Serrano - 18.07.2017




quarta-feira, 12 de julho de 2017

RENASCI

Das trevas renasci para uma vida renovada,
Que os anos amadureceram e frutos deram,
Outras perspectivas, coisas m’aconteceram
De tudo o que hoje eu inda menos esperava.

Fé num futuro incerto e muito mais maduro,
É um caminho difícil, árduo e bastante duro,
Que ainda falta percorrer para chegar à meta,
Cujo desfecho é misterioso, de feição incerta.

A riqueza da lucidez que a idade me trouxe,
Fez-me ver hoje a vida com maior realismo,
Esperando que a miséria e pobreza afrouxe,
Para afastar para sempre o triste fatalismo.

Desejo meu crescente é ainda poder ser útil
A tanto desvario no prazer do consumo fútil,
Evitando uma desregrada vida sem sucesso,
Ao prejudicar o futuro dos jovens do avesso.

Renascido assim para a vida, não vou desistir 
De continuar a cruzada que iniciei há décadas,
Enfrentando as contrariedades, invejas e ódios,
Que se deparam no dia a dia de muitos sonhos.


Ruy Serrano - 12.07.2017





domingo, 9 de julho de 2017

A FONTE DOS MEUS DESEJOS

Fui à fonte dos meus desejos,
Beber a água dos meus beijos,
Encontrei a minha inspiradora
Que me faz a vida sonhadora.

Os seus beijos feitos de versos,
Deram-me muitos bons temas,
Que escrevo e dou aos amigos
Para usufruirem dos  poemas.

Poemas de amor e de amizade,
São a minha maior inspiração,
Com eles exteriorizo o amor,
A que me entrego com fervor.

A fonte dos meus desejos apaga
O fogo que arde no meu peito,
Aliviando a dor da ferida aberta
Por ter ficado numa ilha deserta.

Fui socorrido por um barco à vela,
Que me trouxe à minha bela terra,
Donde parti há quatro décadas,
Escorraçado sem culpa formada.


Ruy Serrano - 09.07.2017

NÃO FORA...

Não fora eu tão crente…
Desta vida desistiria,
Assim tão descontente,
Com tudo que ficaria.

A vida não nos oferece
O que mais desejamos,
Que é o que nós amamos,
A família que nos enternece.

São muitos os obstáculos 
Que se deparam na vida,
Como veros tentáculos 
Dum polvo que nos envolve.

Não fora o meu sentir,
Não fora o meu sofrer
Eu deixaria de mentir,
Para ter mais prazer.

Não fora a humanidade
Ser tão egoísta e cruel,
Eu viveria com qualidade
E a vida não saberia a fel.

Não fora a esperança,
Que ainda me resta,
Eu entraria na dança
Duma animada festa.

Não fora a vida curta
Que nos dá o Mundo,
Eu ficaria mais tempo
Para assistir ao seu fim.

Ruy Serrano - 09.07.2017



sexta-feira, 7 de julho de 2017

O ARCO DA MINHA VIDA

Já a lua se escondera no horizonte,
O sol apareceu brilhante e radioso,
Mais um dia floriu na minha terra,
Sinto-me feliz pelo que me espera.

Terra a minha, que me viu crescer,
Deu-me muito do que eu viria ser,
O amor pela natureza que eu adoro,
A saudade eterna, minha cúmplice.

Manhãs quentes, húmidas, cacimbo
Que tomava conta do meu estímulo,
Tempo único que chegava até mim,
Para me sentir bem no meu jardim.

Amigos com quem brinquei, não sei
O que lhes aconteceu, sao uma visão
Que guardo com mui amor e emoção.
Meu desejo ardente de não os perder.  

Na curva descendente do arco da vida,
Os muitos projectos que se perderam,
Foram tudo o que menos eu desejaria,
Por tantos dissabores que aconteceram.

Ruy Serrano - 07.07.2017