domingo, 23 de julho de 2017

NUM SÓ DIA...!

Quem me dera ter vivido num só dia 
Tudo o que vivi durante toda a vida,
Talvez tivesse vivido só alegrias,
E tantos amores seriam manias.

Num só dia, eu viveria com prazer
Tudo o que a vida me oferecesse,
Nem que ao destino eu negasse
Render-me assim sem combater.

Num só dia eu escreveria a poesia
Que durante toda a vida eu escrevi,
E que bastante prazer eu consegui,
Por escrever com verdade e magia.

Num só dia construiria o património
Que levei tantos anos a consolidar,
Com muito trabalho e muita inveja,
E que acabou por me ser subtraído. 

Num só dia desfrutaria da natureza,
Da sua luz, da sua cor e da beleza
Que Deus concedeu a este espaço,
Que no Universo é tão minúsculo.

Ruy Serrano - 23,07.2017




sábado, 22 de julho de 2017

TENHO PENA DE MIM

Tenho pena de mim,
 Não sei porque nasci,
Para sofrer tanto assim,
Assistir a tanta miséria,
Nada é como supusera,

Ver a natureza revoltada,
Os homens em conflito,
Solta-se de mim um grito,
Desespero sem fazer nada,
O Mundo não tem remédio.

Desde os primórdios até hoje,
Que a vida na terra é assim,
Será de guerras até ao fim,
Dá-me ganas, mete-me nojo,
Sei que vou morrer desiludido.

Antes desiludido e não perdido
Neste Mundo, sem um futuro,
Em que a violência acabasse,
Com o abraçar da humanidade,
E que a Paz fosse fruto maduro.

Tenho pena de mim, impotente
Me acho, sou eterno padecente.


Ruy Serrano - 22.07.2017

terça-feira, 18 de julho de 2017

TOMEI O PAÍS EM ANDAMENTO


Cheguei ainda a tempo,
Tomei o país em andamento,
Numa velocidade descontrolada,
Com a dívida desmesurada.

Tenho de me agarrar
Para não sair do país, 
Não sei que mal eu fiz,
Nem a quem me queixar.

Não sei quem manda,
São tantos os ministros,
Os secretários de estado sinistros,
Cheira mal que tresanda.

Não posso nada reclamar,
Corro o risco de ser punido,
E à prisão ir parar,
Se eu morder o isco.

Falar ou escrever é arriscado,
Serei certamente castigado,
E ficar interdito de protestar,
Para ser condenado evitar.

A velocidade do país 
Diminuiu, é mais lenta.
À custa de água benta,
Não perderá a matriz.

Só me resta uma solução,
Deixar o país de vez,
Emigrar para o sertão,
Usando de sensatez.


Ruy Serrano - 19.07.2017

AMANTES DA NOITE


Na obscuridade da noite,
À meia luz do candeeiro,
Tiramos do mealheiro
O nosso amor de sorte.

No travesseiro em relaxe,
É nosso sensual encaixe,
Unidos num único corpo,
Como a água num copo.

Umedecemos os lábios,
Com os nossos beijos,
Verdadeiros astrolábios 
São os nossos desejos.

A noite é assim tão longa,
Não se vislumbra seu fim,
Não é doença, é peçonha,
Delicada peça de marfim.

Somos amantes da noite,
A noite é toda para nós,
Deitados no nosso leito,
Somos dois e não sós.


Ruy Serrano - 18.07.2017

A MINHA ÂNCORA


Lancei a minha âncora num porto de abrigo,
Deixei o meu barco numa baía, escondido,
Não fosse descoberto e depois afundado,
Para não mais por mim poder ser utilizado.

Esse barco veio vazio, sem bens materiais,
Apenas trouxe a minha família e memórias
Que guardo, por serem documentos reais.
Tudo o que ficou para traz são só histórias.

Histórias que me custa recordar, tão cruéis
Como se fossem contadas pelos coronéis
Que mandaram fuzilar tanta gente inocente,
Naqueles dias negros da pré-independência.

Tão depressa não irei levantar essa âncora 
Do meu barco, por não haver outro destino,
Vou guardar o pouco que me resta no canto
Dum sítio mui secreto, só por mim conhecido.

Ruy Serrano - 18.07.2017




quarta-feira, 12 de julho de 2017

RENASCI

Das trevas renasci para uma vida renovada,
Que os anos amadureceram e frutos deram,
Outras perspectivas, coisas m’aconteceram
De tudo o que hoje eu inda menos esperava.

Fé num futuro incerto e muito mais maduro,
É um caminho difícil, árduo e bastante duro,
Que ainda falta percorrer para chegar à meta,
Cujo desfecho é misterioso, de feição incerta.

A riqueza da lucidez que a idade me trouxe,
Fez-me ver hoje a vida com maior realismo,
Esperando que a miséria e pobreza afrouxe,
Para afastar para sempre o triste fatalismo.

Desejo meu crescente é ainda poder ser útil
A tanto desvario no prazer do consumo fútil,
Evitando uma desregrada vida sem sucesso,
Ao prejudicar o futuro dos jovens do avesso.

Renascido assim para a vida, não vou desistir 
De continuar a cruzada que iniciei há décadas,
Enfrentando as contrariedades, invejas e ódios,
Que se deparam no dia a dia de muitos sonhos.


Ruy Serrano - 12.07.2017





domingo, 9 de julho de 2017

A FONTE DOS MEUS DESEJOS

Fui à fonte dos meus desejos,
Beber a água dos meus beijos,
Encontrei a minha inspiradora
Que me faz a vida sonhadora.

Os seus beijos feitos de versos,
Deram-me muitos bons temas,
Que escrevo e dou aos amigos
Para usufruirem dos  poemas.

Poemas de amor e de amizade,
São a minha maior inspiração,
Com eles exteriorizo o amor,
A que me entrego com fervor.

A fonte dos meus desejos apaga
O fogo que arde no meu peito,
Aliviando a dor da ferida aberta
Por ter ficado numa ilha deserta.

Fui socorrido por um barco à vela,
Que me trouxe à minha bela terra,
Donde parti há quatro décadas,
Escorraçado sem culpa formada.


Ruy Serrano - 09.07.2017