domingo, 6 de agosto de 2017

LÁ VAI ELA...

Lá vai ela, ligeira e vaidosa,
Remexendo suas ancas,
Que a todos encanta,


Por entre ruas e becos,
Lá vai ela, provocante,
Sem ser chocante.

Lá vai ela senhora do nariz,
Sempre assim a vi,
É o meu amor.

Lá vai ela, não sei para onde,
Ignoro o seu destino,
Meu desatino.

Lá vai ela ao fim da tarde,
Espalhando o alarde
De se perder.

Perdê-la, grave desgosto o meu,
Sem eu poder nada fazer,
Meu eterno padecer.

Lá vai ela e com ela vou eu,
Não sei para onde irei,
Sigo ouro de lei.


Ruy Serrano - 06.08.2017



sábado, 5 de agosto de 2017

O CAIS DE ONDE EU PARTI

Daquele cais junto ao Tejo, donde parti,
Num dia muito triste que não esqueci,
Em direcção à minha terra, lá longe,
Na África misteriosa, meu berço doce.

O cais de onde eu parti, jamais esqueço,
Foi um misto de tristeza e de expectativa,
Que senti, por saber que meu regresso,
Confesso, não era por mim tão previsto.

Quis a providência que por maus motivos,
Voltasse aquele cais, de regresso forçado,
Sem me ter sido por alguém explicado,
Porque eu e minha família fomos banidosj

Esse cais encheu-se de gente e caixotes,
Tudo viera a monte no barco fantasma,
Que aquele cais do Tejo por fim aportara,
E eu recebido com protestos e dichotes.

Não bastara o meu azar de ter de voltar,
Ainda fui recebido como ser indesejado,
Meu futuro por muito tempo hipotecado
Com dificuldade para agruras ultrapassar.

Nem as andorinhas da Primavera, amigas
Que de África trouxera, me deram alegria,
Tal era também a sua tristeza, sem alento 
Para voarem através do novo firmamento.

Ruy Serrano - 05.08.2017


DA FICÇÃO À REALIDADE

Da ficção à realidade a distância é grande, 
Inventar e  ficcionar è o mais importante,
Ser realista não passa de mero desejo,
Ignorar a realidade é simples desprezo,

É permanente a ficção, faz-me confusão,
Não haver quem se rebele e manifeste
Seu repúdio e não desmistifique a ficção,
Dando mais visibilidade à pura realidade.

Enquanto a ficção for notícia de momento
Nunca haverá tolerância e tão bom senso,
Cada vez a injustiça será maior e dolorosa,
A realidade preterida e a ficção preferida.

Não havendo divulgação da realidade,
Nunca a humanidade conhecerá justiça,
Tudo será eternamente a maior ficção,
Que afetará a nossa alma e o coração.

Ruy Serrano - 05.08.2017



quinta-feira, 3 de agosto de 2017

BEIJAR A TUA BOCA

Beijar a tua boca, desejo meu,
Saborear os lábios teus,
Doces como mel, abelha 
Da minha colmeia.

Não vou deixar que voes 
Para uma outra flor,
Não me causes pranto nem dor,
Tu és o meu encanto.

Pousa nos meus lábios,
Não me deixes tua ferroada,
És a minha apaixonada,
Estás comigo em sonhos.

Beijar a tua boca com vigor,
É o meu maior desejo,
Tenho por ti um grande amor,
Longe de mim não te vejo.

Ruy Serrano - 03.08.2017


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O CULPADO FUI EU

Da minha vida afortunada e do pecar,
O culpado fui eu que não me orientei,
Dei à minha vida direcção tão errada,
Que me levou assim ao fim sem nada.

O culpado fui eu, já não há nada a fazer,
Tudo o que fiz foi o melhor que eu sabia,
Foi um caminho agreste em que sofria,
Sem nunca este sofrimento eu merecer.

O culpado fui eu, não tenho absolvição,
Pelo contrário fui vítima da obstinação,
Que a vida me fez cumprir, este tempo,
Causando-me transtorno e contratempo.

Com o tempo aprendi o que a vida tem
De mais sublime, sem eu me aperceber
Que a vida foi um longo e mau padecer,
Que acaba por não valer nem um vintém.

O culpado fui eu, já é tarde para recuar,
Não tenho nada com que me desculpar,
Por minha arrogância cometi tais erros,
Não vale a pena chorar lágrimas de sal.

Ruy Serrano - 02.08.2017




terça-feira, 1 de agosto de 2017

NÃO SEI FAZER OUTRA COISA

Não sei fazer outra coisa,
Só escrevo bonita poesia,
Que me enche de alegria,
E que gravo numa loisa.

É com a poesia que vivo
A felicidade tão desejada,
Toda a vida mui esperada,
E de que sou sério amigo.

A poesia dá-me coragem 
Para inda viver mais anos,
Livre de grande voragem,
Evitando possíveis danos.

Não sei fazer outra coisa,
Não me sinto assim inútil,
Minha vida nunca será fútil,
Será como a melhor loiça.

Quanto me sinto tão sensível
À poesia que escrevo e leio,
Minha boa amiga, meu enlevo,
Que manterei sempre audível.

Ruy Serrano - 01.08.2017




O ARCO-ÍRIS

Neste arco-íris da vida, as cores
Não são sempre coloridas,
São por vezes escuras,
Frias e sofridas.

O arco-íris aparece sem esperar,
Fica visível por momentos,
Deixa-me a suspirar,
A viver tormentos.

Espero ver no arco-íris a musa
Por que suspiro há muito,
Ela faz-se surda,
Eu fico mudo.

O arco-íris é o emblema de vida,
Que adoptei por simpatia,
Acho nele a magia,
Tão querida.

Não quero partir da Terra sozinho,
Quero levar comigo o arco-íris,
Por ser o meu protector,
E eu não ser desertor.

Ruy Serrano - 01.08.2017