segunda-feira, 11 de setembro de 2017

NÃO ME IMPORTO QUE FALEM

Não me importo que falem,
Deixa falar,
As palavras deles nada valem,
Só o nosso amar.

Não me importo que falem,
São ninharias,
São coisas que nada dizem,
Apenas frívolas.

Não me importo que falem,
Somos nós 
Que contamos para a vida,
Nossa guarida.

Não me importo que falem,
Deixa-os falar,
São palavras tão tontas,
De desprezar.

Não me importo que falem,
Falem até se cansarem,
A vida é tão curta,
Que não vale a disputa.

Ruy Serrano - 12.09.2017


UM PAÍS DESEQUILIBRADO E DESORGANIZADO

Crónica

Pelos órgãos de comunicação, televisões, jornais, internet, etc… somos confrontados diariamente com notícias aterradoras de greves, manifestações e protestos por situações anómalas que afectam o bom andamento de todos os serviços públicos deste país. São chocantes as contradições que surgem, resultantes da ausência de organização, passando a citar apenas alguns casos:
1 - na área do ensino, as colocações dos professores deslocados das zonas de proximidade das suas residências para zonas distantes, que chegam a ultrapassar os 200 km., e que obriga casais com filhos terem de optar por mudar de residência ou separar-se da família durante a semana, agravando os custos do orçamento familiar. A maior parte destes professores aufere ordenados um pouco acima dos mil euros; quanto aos alunos, também há casos que têm de se deslocar de casa para fora da sua zona escolar, por vezes sem transportes públicos às horas mais propícias. No inverno esta situação será insuportável. Por outro lado, é do conhecimento público que existem vagas em muitas escolas, estando outras sobrecarregadas. Tenho um caso flagrante na minha família. Para não me alongar mais sobre o tema em título, dou aqui como terminada a I Parte desta crónica. Prosseguirei oportunamente com a II Parte, abordando outros sectores públicos.

Ruy Serrano - 11.09.2017
Escritor 


PERTINÊNCIA

Para além das promessas de amor,
Existes tu, minha perdição,
Que me aquece o coração,
Com o teu calor.

Calor que de tão intenso me queima,
A alma. Nada me acalma,
Ansioso eu estou,
Triste e só.

Só, vou sobrevivendo a este tormento,
Do teu amor tão sedento,
Procuro um refúgio,
Deste murmúrio.

Murmúrio que passa a sonoro protesto,
Ninguém me escuta, este silencio 
Que se tornou meu sustento,
E eu tanto detesto.

Detesto e abomino ser tão maltratado,
Nāo foi assim que fui criado,
Hoje é tudo tão diferente,
Nāo serei desistente.

Desistente é fraqueza que eu não aceito,
Farei tudo ao meu melhor jeito,
Vencendo os obstáculos 
Com meus tentáculos.

Tentáculos que me defendem dos ataques,
Dum inimigo misterioso, invisível,
Vou esquecer meus achaques,
Serei invencível.

Ruy Serrano - 11.09.2017





domingo, 10 de setembro de 2017

TEMPO DE CHUVA

Chove água, como lágrimas derramadas,
Dos meus olhos assustados com imagens
De cenários inesperados, na minha terra
Que sāo tão diferentes da actual miséria, 

Tempo de chuva é a época mais molhada,
Como foi toda a minha roupa enxovalhada,
Quando eu tive de desertar para me salvar,
Da tempestade gerada por homens cruéis.

A chuva cai com intensidade e é implacável,
Não se compadece com quem se intromete,
Chuva de cheiro húmido e intenso, memória
Do tempo de chuva que eu vivi com paixão.

A chuva não para, derrama minhas lágrimas
Que eu não trouxe por serem muito pesadas,
Vieram apenas salpicos dos muitos pingos 
Que se perderam nos dias de chuva copiosa.

É tempo de chuva que molha e é tāo feroz,
Que não se compadece da minha dor atroz.

Ruy Serrano - 11.09.2017


terça-feira, 5 de setembro de 2017

FLORES PROFANADAS

Como pétalas duma flor que se abrem,
Assim o meu coração se abre ao amor,
Humedeço com as lágrimas que caiem,
As folhas que ainda restam com cores.

A flor perdeu a sua viçosa virgindade,
Ao se abrir a quem a tomou à força,
Vil personagem que merece a forca,
Por não fazer parte da comunidade.

Flores como a minha há bastantes,
Sāo tratadas com total despreso,
A sua vida é breve, por instantes,
Este malfeitor merece ser preso.

Farei tudo para proteger as flores,
Formosas e inocentes, confiantes,
Que são violentadas por anormais,
Por assaltarem, indefesos quintais.


Ruy Serrano - 05.09.2017

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

UM ADEUS DERRADEIRO

Deixas-te-me só e triste,
Na vida do meu terreiro,
Com o adeus derradeiro,
Que me deste e feriste.

Embora derradeiro, existes,
Para outro lugar tu partiste,
Fiquei sem saber o lugar,
Onde estás agora a morar.

Sou capaz de ir até ao fim
Do Mundo para te abraçar,
Sabes que te amo assim,
É a minha maneira de amar.

O teu adeus derradeiro, não
É o adeus que de ti esperei,
Sempre estiveste no coração 
Presente, nunca te reneguei.

Ainda esperança eu alimento,
De seres o meu único amor,
O meu permanente sustento,
Que guardo com muito fervor.

Ruy Serrano - 04.09.2017


NO LUAR DA MEIA NOITE

No luar da meia noite, 
Contemplo o céu
E vejo estrelas,
A cintilar.

A cintilar como a vida,
Que estremece,
E não cede,
É teimosa.

Teimosa também és tu,
Que não me amas,
Como me dizes,
São mentiras.

De mentiras estou cheio,
Não me dás a certeza
Que é verdadeiro
É pura safadeza.

Safadeza está na moda,
Já não estranho nada,
É tudo uma chachada,
Apenas uma toarda.


Ruy Serrano - 04.09.2017