sexta-feira, 10 de agosto de 2018

ESTAR VIVO É UMA BENÇÃO

Neste inferno terrestre em que vivemos,
Estar vivo é uma benção
Que Deus nos dá para que relembremos
Os deveres de um cristão.

Nesta vida de surpresas e tantos lamentos,
Só nos resta sermos abençoados
Por ainda desfrutarmos de bons momentos,
E os nossos objectivos alcançados.

Estar vivo é uma benção, privilégio da vida
Que Deus nos concedeu um dia,
E que nós devemos aceitar como merecida,
Sem nos queixarmos de má sorte.

Estar vivo é uma benção que só Deus sabe
Por quanto tempo nos concedeu,
É um mistério que só se abre com a chave
Que Deus à nascença nos ofereceu.

Dá graças a Deus por ainda estares vivo,
Terás de o merecer por mérito,
Seguindo o teu único e melhor caminho,
Até te tornares um ser imérito.


Ruy Serrano - 10.08.2018

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

POEMA INACABADO

Este poema está incompleto, por acabar,
Falta o principal, esgotei a inspiração,
Resta-me a esperança de ainda eu achar
O que me vai dizer o bater do coração.

O principal ficou comigo, não o revelei,
É muito meu, valioso como ouro de lei,
Se o confessasse perderia a minha razão,
Incutiria nos espíritos bastante confusão.

Faltou falar dos amores que eu abracei,
Das lágrimas que a esmo eu derramei,
Quando perdi esses amores, sem saber
Porque motivo me privaram do prazer.

É doloroso não ter acabado este poema,
Interferiu cobardemente no meu sistema.
Privou-me de escrever bonitas estrofes,
Que ficaram fechadas nos meus cofres.

Ainda um dia irei terminar o meu poema,
Que apresentarei sem nenhum problema,
As contas fazem-se no fim, e o resultado
Será achado, sem mácula do meu passado.


Ruy Serrano - 10.08.2018

SOMBRAS E CLARIDADES

Vejo sombras, vejo formas escuras,
Nas paredes, nas janelas e portas,
Sombras que tão fortes e maduras
Projectadas em altas horas mortas.

Pela manhã, aparecem claridades,
Vejo becos e ruas da cidade de luz
Que irradia do sol forte que seduz,
Como pedras preciosas, raridades.

Esta vida de matizes tão diversas,
Com sombras e claridades, sonhos
Meus que pela manhã se dissipam,
No alvor de novo dia de luz e cor.

Da parede da sala ecoam as horas
Que o relógio de parede ainda toca,
Depois de se ter calado, de amuado
Com a vida esquecida que ali mora.

Nāo deixo que o relógio desmoralize,
E desista de tocar as horas do pulsar
Do meu coração sensível que resiste
Às emoções e surpresas do meu amar.

Ruy Serrano - 09.08.2018







A MINHA MELHOR COMPANHIA

A melhor companhia que eu tenho,
É a que é só minha há tanto tempo,
Não me deixa um único momento,
Desde criança que é meu sustento.

A minha companhia não me deixa,
Receia pela minha frágil existência,
Sabe que corro perigo e violência,
Se não escutar as minhas queixas.

A minha melhor companhia persiste,
Quer que eu lhe estenda a minha mão,
Para eu nāo sofrer de séria comoção,
Se o meu mal é tão real como existe.

Diz-me a minha companhia que deseja
Que eu viva com ela até ao fim da vida,
Pois nasceu e quer morrer assim comigo,
Como é o nosso comum e único destino.


Ruy Serrano - 09.08.2018

sábado, 4 de agosto de 2018

O QUE RESTA DE MIM

O que resta de mim são migalhas,
Tu comeste a minha côdea toda,
Fiquei sem nada,  só com tralhas.
Ando agora perdido, só e à toa.

O que resta de mim, não tem valor,
Tu ficaste com tudo de bom de meu,
Até me levaste o meu grande amor,
Que agora passou a ser todo e só teu.

Nunca pensei vir a sofrer tanto assim,
Parecia ser passageiro este sofrimento,
Afinal não passava dum meu lamento,
Por um amor ter fugido assim de mim.

O que resta de mim já não me pertence,
Ficaste com o melhor, eu com as sobras,
Usaste das tuas tão matreiras manobras,
E eu à beira de me tornar mais doente.

Vou viver com o que resta assim de mim,
Já não conto contigo, nem gosto mais de ti

Ruy Serrano - 02.08.2018


LISBOA NAMORADEIRA

Esta Lisboa que eu adoro, desiludiu-me,
Tornou-se namoradeira, perdeu a cabeça,
Passa o tempo a namorar, sem contenção,
Com a sua leviandade fere meu coração.

Não se controla na sua conduta, namora
Com quem lhe aparece, a honra esquece,
Já não sabe por onde anda e onde mora,
Perdeu o controle, faz o que lhe apetece.

Desgosto o meu ver-te assim, desvirtuada,
Foste para mim sempre virgem imaculada,
Tens um nome nobre e sério a respeitar,
Deixa os namoros levianos, sabe amar.

Tua missão é nobre, junta-te ao rio Tejo,
Ele será o teu melhor amigo e protector,
Banha-te nas suas águas, lava as nódoas,
Quero ver-te livre e de amores mornos.

Ruy Serrano - 04.08.2018


quarta-feira, 1 de agosto de 2018

APAIXONEI-ME PELA VIDA

Apaixonei-me por ti, assim de repente,
Tomaste conta de mim como serpente
Que se enrolou ao meu corpo e apertou
Meu coração que a ti então se entregou.

Perdi a noção da minha breve existência
Neste Mundo por ando perdido, bússola
Que avariou e já não me dá o caminho
Que devo seguir para encontrar abrigo.

Os sonhos de criança, sumiram no tempo.
Que passou sem me aperceber, fenómeno
Fruto do amadurecer dos anos, é demónio
Que deixou de ser meu único passatempo.

Agora só há que aproveitar o que me resta
Desta vida que vivi, sem eu me aperceber,
Que passava egoísta e assim tão depressa,
Apenas um raio de luz me permitiu viver.

Ruy Serrano – 01.08.2018