segunda-feira, 11 de novembro de 2019

AS PORTAS DO AMOR

Tantas são as portas do amor fechadas,
Portas que só tinham fachadas,
Receio o meu de as ter abertas,
Para me defender das setas.

As portas do amor são muitas e veras,
Por isso eu ainda acredito nelas,
Mas não as franqueio
Por ter delas receio.

Ha tantas portas do amor que se abrem,
Outras tantas também se fecham.
Os amores entram e saem,
E a mim só me deixam.

Desconfio da sinceridade dos amores
Que se escondem atrás das portas,
Passo momentos de terror,
Por serem tão tortas.

Vou fechar de vez as portas do amor,
Não quero sofrer nova afronta,
Fico com a cabeça tonta,
Passo um horror.


Ruy Serrano - 11.09.2019

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

OS SEM ABRIGO

Esses mártires da sociedade actual,
Que são objecto de marginalidade
A que são votados, ofensa brutal
Que nem parece ser uma realidade.

Não têm culpa de tão triste caminho
Que seguem sem saber seu destino,
Sem forças e muito desmoralizados,
Consideram-se seres marginalizados.

Onde esta a democracia que é cega
E não quer ver esta triste realidade,
Deixando os sem abrigo na falésia
De um precipício, triste fatalidade.

Por egoísmo das elites tão abastadas,
Os sem abrigo passam fome e o frio
Das noites gélidas do penoso inverno,
Que são como vivessem  no inferno,

Afinal o que é que o 25 de Abril trouxe,
De positivo, com mais dos sem abrigo,
Cruel sinal de insucesso e dum fosso
Brutal entre os sem abrigo e os ricos.

O Chefe supremo dos portugueses,
Deverá providenciar a erradicação 
De tamanha injustiça e diabolização,
Que é imperioso e nossos desejos.

Ruy Serrano - 08.11.2019







quinta-feira, 7 de novembro de 2019

POSTAL DE TOMAR

Desci à cidade, visitei o rio Nabão,
Corre lesto em direcção ao Zêzere,
Patos e cegonhas nele navegavam,
Peixes e batráquios o desfrutavam.

Rio que divide a cidade ao meio,
Depois de contornar uma língua
De terra que forma uma bela ilha,
Onde a vegetação é matéria viva.

Crianças e idosos pisam a relva
Que lhes faz imaginar uma selva,
Uma roda gigante carrega água
Que retira do rio em seus vasos.

Uma grade de ferro protege o rio
Dos curiosos que se aproximam,
Para desfrutar da sua rara beleza,
Que os deixam agradável êxtase.

Ao longo do rio, casario centenário,
Projecta suas sombras nas águas
Ao refletir imagens belas de magia,
Duma cidade milenária e querida.


Ruy Serrano - 08.11.19

terça-feira, 5 de novembro de 2019

UM ABRAÇO UM BEIJO UMA LÁGRIMA

Neste meu viver intenso, sem controle.
Com um abraço, um beijo e uma lágrima,
Não há nada mais que tanto me console,
E me dê a fé que de mim reclama Fátima.

Convivo com o abraço, o beijo e a lágrima,
Como meus companheiros desta jornada,
Que vivemos intensamente, não é nada,
Comparado com uma epidemia de raiva.

Este meu viver é o melhor que posso ter,
Não quero passar a vida a muito sofrer,
Se me privarem das minhas companhias,
O abrigo, o beijo e uma lágrima amigas.

As coisas da vida que se deitam fora,
Fazem falta para podermos ser felizes,
À nossa maneira, com os três amigos,
Um abraço, um beijo e uma lágrima.

Ruy Serrano - 06.11.2019





domingo, 3 de novembro de 2019

FIZ O DIAGNÓSTICO DA MINHA POESIA

Fiz o diagnóstico da minha poesia,
Acho que está de muito boa saúde,
Só precisa de mais umas vitaminas,
Para não cair num eventual ataúde.

A minha poesia é biológica e forte,
Resiste a todas as más epidemias,
Está imune às bastantes endemias.
É preciso também ter alguma sorte.

Vou tecer a minha poesia, com linha
Da melhor qualidade, que não parta,
Quando abrirem os versos para ler,
Seria para mim um grande padecer.

Felizmente a minha poesia está bem,
De boa saúde, é tratada com carinho,
Para agradar a quem a lê, é caminho
Que eu tracei para chegar a alguém.

A minha poesia está definitivamente
Fora de perigo, já posso confiar nela
E continuar a escrever com confiança
Para transmitir a melhor esperança,


Ruy Serrano - 04.11.2019

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

ANDAM CAVALOS À SOLTA


Este poema é dedicado à vontade indómita do homem 
Andam cavalos à solta, a bom trote,
Por prados dos homens agricultores,
Deixam ao mundo o seu único mote,
De viverem com a força dos motores.
Que os impulsionam pra cá da morte.

A espumar das bocas secas, trotam
Com belo prazer num dia de começo,
Ao sol quente da tarde que queima,
E que de trotar sem parar se ateima.
Como arma de perfeito arremesso.

Esses animais cheios de tanta força
Com vontade indómita de terminar
Na primeira linha da breve chegada,
Não querem desistir, apenas ficar
Sem o risco de acabar numa forca.

Andam cavalos à solta ao meu redor,
Para os montar a bom ritmo e trote,
Temo montar tais cavalos, coragem 
Que não herdei e me nega tal sorte,
Fico frágil e receio uma sacanagem.

Andam cavalos a trote, andam livres,
Para não sofrerem e andarem  tristes.


Ruy Serrano - 01.11.2019