terça-feira, 20 de julho de 2021

ANDO A PENAR


Doces são os teus lábios,

Meigos são os teus olhos,

Redondos os teus peitos,

Macias tuas belas mãos.


Eu sou o vero contraste

Da beleza muito natural

Que faz de mim traste,

A sofrer de grande mal.


Não sei porque eu nasci

Assim vesgo, anti-natural,

Se o meu tão grande mal,

Foi sobreviver e não morri.


Os meus queixumes muitos

São de azedumes tantos,

Que lhes perdi sua conta,

Ficando aos ais de pranto.


A vida caprichosa se revelou,

Não quis colaborar comigo,

Arranjou um outro seu amigo,

Por o ter, sempre ambicionou.


E eu para aqui ando sozinho,

À procura do meu caminho,

Que não encontro em lugar

Nenhum, não o sei localizar.


Ruy Serrano - 21.07.2021


VENCER A GUERRA


Onde estão esses libertadores do planeta,

Que não aparecem nos peores momentos,

A sua valentia não passa duma mera treta,

Revelam cobardia e falta de sentimentos.


Estamos na expectativa da nossa desejada

Libertação, que nunca chegará, foi achada 

Mas desertou para não enfrentar o perigo

Que é cada vez maior, com ataque inimigo.


Lanço desafios de ataques para a defesa

Da nossa integridade, por falta de firmeza.

Abrem-se brechas na trincheira fortificada

Para evitar que possa vir a ser derrubada.


O inimigo cobarde desertou e se refugiou

Para lá das nossas linhas mais adiantadas,

Com receio de serem por nós derrubadas,

Poucas forças inimigas feridas sobraram.


Assim terminou a guerra que pouco durou,

Pois o inimigo impotente jamais arriscou,

Deu-se início a novo tempo de muita Paz,

Em que acreditámos nunca mais nas más.


Ruy Serrano - 21.07.2021

segunda-feira, 19 de julho de 2021

A FEITICEIRA


Não me enganas, és feiticeira de verdade,

Vieste do além para espalhares na terra

O teu feitiço, sem escrúpulos e tão bera

Que és ameaça de veneno e de maldade.


És feiticeira de nome, disfarçada de mulher,

Onde não deves metes sempre a tua colher,

Vou fazer os impossíveis para te prejudicar,

Não hás-de qualquer tua maldade praticar.


Repudio teu nome, tua presença perigosa,

Vou fazer com que sejas o mais vagarosa 

Que te faça desistir dessas más feitiçarias.

Irei praticar muitas e tão severas judiarias.


Desiste dos teus feitiços, são só idiotices,

Escolhe outra profissão, com mais futuro,

Esta por ser falsa é como pão muito duro 

Que não consegues trincar, são chatices.


Deixarás de ser feiticeira num dia qualquer,

Quando chegar à triste conclusão e quiser 

Que tu desapareças duma vez pra sempre,

Tal como uma nojenta e vencida serpente.


Ruy Serrano - 20.07.2021

BATEM PALMAS AS PALMEIRAS



Batem palmas as palmeiras, 

A chamarem por mim,

Amigas verdadeiras,

Elas são assim.


Palmeiras da minha bela terra

Que jamais esquecerei,

Não as deixarei

Sāo desta era.


Palmeiras como as africanas 

Não há nem parecidas,

Sai minhas amigas,

Não esquecidas.


Batem palmas as palmeiras,

Não param de bater,

É tal o seu sofrer,

De tremedeiras.


Cansadas de bater palmas,

As minhas palmeiras,

Dizem asneiras,

Têm traumas.


Jamais esquecerei as palmeiras

Que deixei na minha terra,

Elas são como freiras 

Que fazem sua reza.


Batem palmas as palmeiras

Não  se cansam de bater,

Meu receio, meu temer,

De suas canseiras.


Ruy Serrano - 20.07.2021

terça-feira, 29 de junho de 2021

POR TERRAS MOVEDIÇAS

Andei por lugares ermos e perigosos,

Pisei terra movediça e mui traiçoeira,

Não me moveu motivos satisfatórios,

Por recear ser vítima duma ratoeira.


Ratoeira que por sorte não funcionou,

No momento derradeiro ela emperrou,

Escapei por um triz de ficar mui ferido,

Quem ficou na ratoeira foi o inimigo.


Inimigo que desistiu de me prejudicar,

Por algum engenho e arte lhe faltar,

Nem para ferreiro ou sapateiro servia,

Um inútil que nenhum bem merecia.


Merecia outro destino, um precipício 

Onde caísse para sumir para sempre,

Tal era a sua inutilidade e desperdício 

Que se tornou um indivíduo demente.


Demente passou a ser toda a sua vida,

Ser errante por fim sem eira nem beira,

Deixou pois de ser quem mais temia,

Nem pra espantalho de feira ele servia.


Ruy Serrano - 30.06.2021


sábado, 5 de junho de 2021

SOFRIMENTO

CONTRADIÇÕES  


Eu queria desgostar mas gosto,

Queria esquecer mas recordo,

Queria saborear, não tenho sabor,

Queria amar mas já não amo,

Queria à minha terra regressar 

Mas tão depressa não regresso,

Queria voltar a ser uma criança,

Mas não tenho bibe, é lembrança,

Queria através do Mundo viajar,

Nāo tenho dinheiro para pagar 

Queria saber perdoar a alguém,

Dúvida a minha, não sei aquém,

Queria regressar à minha terra,

Nāo sei é de quem me espera,

Queria escrever por mais tempo

Poesia e crónicas, peço talento,

Por fim queria mudar o Mundo 

Não passa de desejo profundo.


Ruy Serrano - 06.06.2021

quinta-feira, 3 de junho de 2021

ARCO ÍRIS: PREGÕES DE LISBOA

ARCO ÍRIS: PREGÕES DE LISBOA: Os pregões soltavam-se das vozes das varinas. Corriam as ruas de Lisboa, Velozes e barulhentos, Andavam à toa. Assomavam às varandas e ...