quinta-feira, 30 de agosto de 2012

FALSO AMOR


Porque é que me mentiste, se te quero tanto,
Nunca te fiz mal e tu só me provocaste danos,
Foi vingança, copiando a maldade dos tiranos
Ou me enganas com mentira e tal desencanto.

Porque é que mentiste, se sempre te dei tudo,
Mimos, carinhos, beijos e prendas, com amor.
Defendi-te e enfrentei inimigos vis, sem temor,
Passei vezes sem conta por parvo e por surdo.

Depois de muito te estudar e procurar entender,
Não consegui decifrar teu tão mau pensamento,
Fazendo-me mal, servindo-te do meu sustento.

Passei a vida dando-te meu real amor, a sofrer,
Sem nada receber em troca e sem eu suportar,
Aquilo que sentia que era o teu forte palpitar.







BENDITA ÁGUA


Vejo mares, vejo rios, vejo lagos, é tudo água,
Fui batizado com ela, bebo dela, lavo-me nela,
A água é fonte da vida, é pura e muito singela,
Purifica o corpo, mata a sede, não tem mácula.

Na água navegaram as naus das descobertas
Que encontraram novos povos e civilizações.
Com a água se desvendaram as explicações
De que a humanidade tinha ideias desertas.

Foi na água que eu dei as minhas braçadas,
E aprendi a flutuar, para a vida eu suportar,
Sem queixumes e na vida eu poder singrar.

A água deu-me saúde e ideias imaculadas,
Que permitiram erigir meu vasto património,
Embora vir a ser dele privado pelo demónio.





segunda-feira, 27 de agosto de 2012

DANÇARINOS NOTURNOS


Aos saltinhos aos saltinhos, entram na dança,
Rodopiando para a esquerda e para a direita,
Dançam noite dentro, até que o Sol espreita,
Tão cansados estão que termina a festança.

Passam as noites a dançar, tal é o seu vício,
Que se esquecem das horas e do descanso,
Preferem passar por momentos, de bulício,
Do que interromper a dança e o seu remanso.

Quando termina o baile, na alvorada do dia,
Os pares deixam o baile, regressam a casa,
Atiram-se para cima da cama, perdem a asa.

Entram em sono profundo como uma melodia
Que toca horas seguidas, como disco riscado,
Até ficar sem corda e acabar por ser quebrado.

sábado, 25 de agosto de 2012

NATUREZA REVOLTADA


O céu escureceu bruscamente, o tempo arrefeceu,
A água caiu copiosamente, os raios faiscaram,
Os terrenos se alagaram, os bichos se mudaram,
Os homens se acobardaram e tudo se esqueceu.

Era a natureza revoltada contra a humanidade,
Cansada que estava de ser bastante maltratada,
Arrancou árvores, derrubou casas e atraiçoada,
Vinga-se em pessoas que lançou na eternidade.

Este é o Mundo em que se vive sem confirmar,
Ao esquecer perigos constantes que provocamos,
Laços de união e convivência que desprezamos.

O tempo melhora por pouco tempo para enganar,
Retoma a sua ferocidade contra seus inimigos,
Sem dar como terminados os muitos objectivos.



O CERTO PELO INCERTO


Não tenhas pressa em morrer, porque o Além
É desconhecido. Não sabes porquê e quando,
O que lá vais encontrar, mesmo tu sonhando,
Não é como a vida na terra, fica para teu bem.

Não troques o certo pelo incerto, que aqui tens,
Mesmo sofrendo como sofres, não vale a pena
Pensares em morrer para te tornares mecenas,
Sabendo aqui quem tu és e lá saíres de cena.

Cá na terra já conheces os principais inimigos,
Sabes o modo mais próprio de com eles lidar,
Para a tua vida defenderes sem te prejudicar.

Escolhe o certo pelo incerto, opta por desafios
Que te garantam o futuro por mais uns anos,
Sem sofreres na terra muitos maiores danos.







POESIA BIOLÓGICA


A poesia é a essência da minha longa vida,
Brota em mim espontânea, viva e biológica,
Inspira temas reais com muita expectativa,
Que eu canto com a minha criação e lógica.

Nas palavras que surgem sós e espontâneas,
Há mensagens curtas de verdade e realismo,
Que eu guardo e assimilo sem algum egoísmo,
Para as trabalhar e publicar como filigranas.

As palavras passam a minhas admiradoras,
E eu trato-as como minhas únicas amantes.
Para me inspirarem versos reais e brilhantes.

A minha poesia é biológica, merece honras,
Sabe bem a quem a consome, que a repete,
Porque o seu consumo diário lhe apetece.



sexta-feira, 24 de agosto de 2012

VIDA HÁ SÓ UMA


Quando penso na minha vida, sinto, vejo
Que a vida passa depressa e só há uma.
Má sorte minha por aquilo que prevejo,
De bom e mau, mergulhado na penumbra.

Palavras e ideias cruzadas, sem tradução,
Não me oferecem garantias para o futuro,
Apenas dúvidas, má e manifesta confusão,
Da vida que é só uma e me deixa imaturo.

Vou no meu canto aguardar por notícias
Que tardam em chegar, enquanto a vida
Que é só uma não me for bem sucedida.

Até aos meus últimos e derradeiros dias
Viverei imbuído de mil sonhos e ilusões
Mesmo que não venha a tirar conclusões.