quinta-feira, 15 de agosto de 2013

MENDIGOS

Gente anónima que se arrasta por este Mundo,
Esquecida pela multidão, na voragem egoísta,
D'outra gente com privilégios que conquistaram
Por artes e manhas que por defeito utilizaram.

Esses mendigos que existem e estendem a mão,
Poucas oportunidades têm na vida, por rejeição,
Apenas alguma ajuda lhes chega por caridade,
A sociedade não os integra, esconde a verdade.

Toda a gente corre o sério risco de ser mendigo,
A vida não é tão segura assim, pode surpreender,
Até um amor se perde, sem se chegar a perceber,
A razão porque deserta sua amada, cruel castigo.

Mendigos existem, mendigos existirão, no Mundo
Cão em que vivemos, sem se poder nada alterar,
A vida é traiçoeira, não se compadece dos pobres,
Eles serào sempre vítimas dum árduo massacrar.


Ruy Serrano, 15.08.2013

DAMA DE COPAS


Pertencias ao meu baralho, eras o meu trunfo,
Ganhei muitos jogos de cartas com a tua carta,
Perdi-te em jogo de batota, em que colaboraste,
Foste falsa, afinal não me querias, m'atraiçoaste.

És agora a dama de copas, noutro baralho,
Jogas contra mim, eu fiquei assim à defesa,
Conheces meus truques p'ra m'atacares,
Arrisco-me a perder os jogos, por franqueza.

Agora jogo sozinho, mas com outro baralho,
Uso novo trunfo p'ra ganhar ainda os jogos
Em que participo, nos reptos que me lançam,
Não desisto, tenho de abrir bem, meus olhos.
Ruy Serrano, 15.08.2013

terça-feira, 13 de agosto de 2013

EU SOU ASSIM

 Eu sou assim, ninguém me muda,
Sei o que valho, sei o que quero,
Trato toda a gente bem, como sei,
Sou bem-educado, não sou severo.
 Meus olhos dizem o que eu sou,
Não guardo ódios nem rancor,
São leais, meigos e transparentes,
São castanho-claro, a sua cor.

Sou modesto, mas tenho orgulho,
Amo a vida, amo os meus amigos,
Aprendo com eles, eu os escuto,
Respeito os pobres e os mendigos.
 Minha maior fortuna eu perdi e agora
Resta-me a minha qualidade de vida,
Que vivo com gosto, à minha maneira,
Por todo o tempo, pela vida inteira.

Os amores, perdi-os pelo caminho,
Faltou-me engenho e arte p’ra os ter,
Amar e ser amado não é nada fácil,
Deixa-me a todo o momento a sofrer.
 Eu sou assim, não penso agora mudar,
Não quero perder a minha identidade,
Nem que isso desagrade a muita gente,
Tudo que não me agradar é banalidade.

Ruy Serrano, 18.08.2013

A CHAMA DO AMOR

Ainda gosto dela, ela acha que não,
Só eu sinto a dor do meu coração,
Chama do amor que me queimou,
E neste pranto sem cor me deixou.

A chama do amor está bem viva,
Não se extingue, ela me pertence,
É minha companhia toda a vida.
Quero mantê-la sempre presente.

Mantenho viva a chama do amor,
P'ra queimar os meus desgostos,
Que me deixaram amargo sabor,
E me destruíram outros gostos.

É bom sentir a chama do amor,
Queimando assim meu interior,
É a maneira de não t'esquecer,
Enquanto a chama m'aquecer.

Não troco esta chama por outra,
Que poderá ser bem diferente,
A tua chama é mais sedutora,
Apesar de saber que me mente.

Ruy Serrano, 13.08.2013

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

NÃO SABER PORQUÊ

Andamos todos confusos, sem saber porquê,
Ninguém nos diz o que na verdade se passa,
Somos acusados, ficamos na dúvida, à mercê,
Achamos que o que nos contam, é só trapaça.

Não saber porquê, porque nos desejam mal,
Tratando-nos abaixo de cão, sem uma razão,
Sem fundamento, apenas por mera vingança,
Como se tratasse de peça dramática teatral.

Não saber porquê é acima de tudo ignorância,
Não querer, nem desejar, viver na escuridão,
Não acreditar na verdade, crer mais no boato,
É deixar-se vencer pela ofensa e ostracismo.

Há-de chegar o dia da verdade se conhecer,
P'ra que a justiça seja feita aos carrascos,
Que prejudicaram quem ficou mal, a padecer,
Sem terem sido de nada, do mal culpados.
Ruy Serrano, 12.08.2013

CONTEMPLAÇÃO DO CASTELO DOS TEMPLÁRIOS DE TOMAR

Quando assomo à minha varanda
E olho pr'o castelo, vejo teu rosto
Espelhado na torre de menagem
Como a minha rainha que amei,
Estremecendo de prazer, te adorei.

Lá do alto parece que me sorris,
Com teus lábios doces e meigos,
Teus olhos vencem a distância,
Atravessam o rio vêm ter comigo,
E eu abraço-te e fico contigo.

Triste sina a minha, meu penar,
Por só eu te poder contemplar,
À distância dos muitos séculos,
Ficando a sofrer sem sossego,
Minhas lágrimas, choro a soluçar.
Ruy Serrano, 12.08.2013

SAÍSTE DA MINHA VIDA

Penso nesses seres celestes que andam pelos céus,
Anunciando o amanhecer e avisando do entardecer.
Os passarinhos são inocentes não sabem nem pecar,
É bonito contemplá-los, deambulando alegres no ar.

Triste sina a dos passarinhos que querem liberdade,
Mas que acabam na panela, na gaoila ou no chão,
Atingidos por uma fisga ou uma arma no coração,
Deixando insensível o homem cheio de maldade.

No beiral da minha casa, há um ninho de andorinhas,
Acabadas de nascer, que são alimentados p'los pais,
Que em voo rasante passam por nós, a agradecer,
Sabendo que a nossa casa é refúgio p'ra se viver.

Não sei como pode o homem tratar tão mal tais seres,
Que querem liberdade e vivem escondidos nos troncos,
Das árvores, alimentando-se de erva e de bicharocos,
Tremendo de medo por serem descobertos, às vezes.
Ruy Serrano, 12.08.2013