quarta-feira, 16 de julho de 2014

PALAVRAS SONSAS



PALAVRAS SONSAS

Leio palavras sonsas e sem sentido
Mais parecem verdadeiras charadas
Palavras que são tão mal tratadas
Que ao lê-las fico confuso e aturdido

Até percebo algum do seu significado
Mas não me dou por elas referenciado
São palavras atiradas bem para o ar
Para alguém furtivo as poder apanhar

As palavras sonsas não têm o valor
Que lhes quer atribuir quem escreveu
Servem apenas como simples decore
Escrita rendilhada de quem as teceu

Gostava pois que me fosse explicado
De algumas palavras o seu significado
De tão sonsas que são não se percebe
Se são ingénuas ou apenas ânimo leve

É hoje vulgar o uso de palavras sonsas
Sem respeito pela poesia que reclama
Ser tratada com as merecidas honras
Para não perder seu valor e sua chama

Palavras que parecem sonsas cheias
De pecados reclamam muito cuidado
Serem lidas por partes e ao contrário
Para se perceber o sentido das teias

Tais palavras são postas a breve leilão
Para alguém as rematar, ninguém quer
Arriscar são palavras vãs sem coração
Que são de muitas dúvidas e de temer

Ruy Serrano - 17.07.2014, às 00.15 H

segunda-feira, 14 de julho de 2014

SE EU TE CONTASSE...

Se eu te contasse os meus segredos
Ficarias a saber tanto como eu sei
As minhas alegrias os meus medos
Tudo o que perdi e jamais achei

Se eu te contasse os meus segredos
Não gostarias de saber muitas coisas
Que na minha vida me aconteceram
Tais como amores que se perderam

Amores que descobri serem fingidos
Foram com os ventos que os trouxe
Tornaram-se uns simples foragidos
Não quiseram que os convencesse

Se eu te contasse os meus segredos
Ficarias a conhecer-me muito melhor
Não farias teus juízos errados do pior
Gostarias mais de mim sem arrepios

Ruy Serrano - 14.07.2014, às 11:45 H

sexta-feira, 6 de junho de 2014

CENTRO DE GRAVIDADE



CENTRO DE GRAVIDADE

Mudaste do meu centro de gravidade,
Gravitas agora noutra órbita,
Passaste a satélite, espias meus actos,
Lês o que escrevo, são factos
Que eu relato com verdade e muita dor,
Por ter perdido o meu amor.

Por estares longe, minha imagem é má,
Não traduz a qualidade,
Que é boa, tanto como a minha verdade,
Nunca desmentida,
Por mim provada e que é desconhecida,
Em que estás comprometida.

Quando te tirarem da tua falsa órbita,
Verás que eu tenho razão,
Nem tudo é verdadeiro, pura ilusão,
Usarás da tua memória,
Para descobrires que foste enganada,
E agora não vales nada.

Quando o centro de gravidade se desloca,
Corre-se grave risco, o ar rareia e sufoca.

Ruy Serrano - 06.07.2014, às 22:35 H

domingo, 1 de junho de 2014

NÃO ÉS A MESMA LISBOA

Que é feito de ti, não és a mesma Lisboa,
Desde que te deixei que és muito vaidosa,
És mais cosmopolita e tão pouco bairrista,
Deixaste de ser a Lisboa amada d'outrora.

Viraste costas ao rio e aos miradouros,
Trocaste a tua história pelos mexericos,
Foste vencida agora por outros mouros,
Que te provocaram vícios tão malditos.

Deixaste de ser a Lisboa casta e desejada,
Passaste a ser a Lisboa dos estrangeiros,
Comprometeste teu futuro, minha amada,
Vendeste teu corpo, tenho meus receios.

Ainda tens tempo para emendar teus erros,
A tua longa e valiosa história assim merece,
Dessa modernidade e tentações, esquece,
Volta para os meus braços amigos e veros.

Ruy Serrano - 01.06.2014, às 10:00 H

segunda-feira, 12 de maio de 2014

SAÍ DA CIDADE...

SAÍ DA CIDADE...

Saí da cidade fui visitar a natureza,
Andei por serras, vales e rios,
Respirei o ar puro,
Desfrutei de tanta beleza,
Achei-me mais maduro.
O mato da primavera florido,
O verde mais verde das árvores,
As águas cristalinas dos ribeiros
A correr, ávidas de chegar ao destino,
De se abraçarem aos seus rios
Que irão ter ao mar dos oceanos.

Saí da cidade, fui visitar a natureza,
Quis ficar com ela a viver,
Não consegui, por inveja,
Atearam fogo ao arvoredo,
Acabei por ficar a sofrer,
Por tanta maldade sem pejo.
Continuei na cidade contrariado,
Entre quatro paredes fechado,
Sem um carinho, um beijo.
Assim fiquei para sempre,
No meu feudo, me lamento.

Ruy Serrano - 12.05.2014, às 15:35 H


domingo, 11 de maio de 2014

LONGA CAMINHADA

Esta caminhada que comecei há muitos anos,
Parece não ter fim,
Com ânimos e desânimos,
Não sei o que vai ser de mim.
Duma coisa tenho eu a certeza,
Passarei o resto da vida a escrever poemas,
Com eles durmo e me alimento,
São o meu estado, o meu sustento.

Alguns companheiros de jornada,
Ficaram pelo caminho,
Não resistiram à árdua caminhada,
Tiveram triste destino.
Poupados foram à penosa vivência
Dos que sobreviveram,
Que levam uma vida sem decência,
Sem contudo a merecerem.

É a sociedade egoísta e hipócrita
Que nos impõe o caminho,
Que devemos seguir,
Sem bússola, nem rota,
Sem ambições e sozinhos,
Até o fim podermos atingir.
Só quando terminar a longa caminhada,
Teremos o descanso merecido e desejado.

Ruy Serrano - 12.05.2014, às 10:25 H

SALPICOS DE AMORES

 



SALPICOS DE AMORES 

Chegam-me salpicos dos meus amores,
Que se desfizeram durante seu trajecto,
E vieram ter comigo, quais meteoritos,
Por não terem encontrado algum afecto.

Só me chegam salpicos de certos amores,
Que não são verdadeiros nem são inteiros,
Perderam o perfume dos meus desejos,
Pra mim grandes desgostos e dissabores.

A sorte com os amores anda assim arredia,
Segue por outros caminhos, por outra via,
Vai ter com quem se intromete, não mereço,
Não desistirei de amar, teimoso eu prometo.

Desconfiado sou e serei durante toda a vida,
Não acredito nem sustento os falsos amores,
Não preciso deles para sonhar e viver feliz,
É a intuição e a experiência que tal mo diz.

Ruy Serrano - 11.05.2014, às 17:40 H