sábado, 5 de agosto de 2017

DA FICÇÃO À REALIDADE

Da ficção à realidade a distância é grande, 
Inventar e  ficcionar è o mais importante,
Ser realista não passa de mero desejo,
Ignorar a realidade é simples desprezo,

É permanente a ficção, faz-me confusão,
Não haver quem se rebele e manifeste
Seu repúdio e não desmistifique a ficção,
Dando mais visibilidade à pura realidade.

Enquanto a ficção for notícia de momento
Nunca haverá tolerância e tão bom senso,
Cada vez a injustiça será maior e dolorosa,
A realidade preterida e a ficção preferida.

Não havendo divulgação da realidade,
Nunca a humanidade conhecerá justiça,
Tudo será eternamente a maior ficção,
Que afetará a nossa alma e o coração.

Ruy Serrano - 05.08.2017



quinta-feira, 3 de agosto de 2017

BEIJAR A TUA BOCA

Beijar a tua boca, desejo meu,
Saborear os lábios teus,
Doces como mel, abelha 
Da minha colmeia.

Não vou deixar que voes 
Para uma outra flor,
Não me causes pranto nem dor,
Tu és o meu encanto.

Pousa nos meus lábios,
Não me deixes tua ferroada,
És a minha apaixonada,
Estás comigo em sonhos.

Beijar a tua boca com vigor,
É o meu maior desejo,
Tenho por ti um grande amor,
Longe de mim não te vejo.

Ruy Serrano - 03.08.2017


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O CULPADO FUI EU

Da minha vida afortunada e do pecar,
O culpado fui eu que não me orientei,
Dei à minha vida direcção tão errada,
Que me levou assim ao fim sem nada.

O culpado fui eu, já não há nada a fazer,
Tudo o que fiz foi o melhor que eu sabia,
Foi um caminho agreste em que sofria,
Sem nunca este sofrimento eu merecer.

O culpado fui eu, não tenho absolvição,
Pelo contrário fui vítima da obstinação,
Que a vida me fez cumprir, este tempo,
Causando-me transtorno e contratempo.

Com o tempo aprendi o que a vida tem
De mais sublime, sem eu me aperceber
Que a vida foi um longo e mau padecer,
Que acaba por não valer nem um vintém.

O culpado fui eu, já é tarde para recuar,
Não tenho nada com que me desculpar,
Por minha arrogância cometi tais erros,
Não vale a pena chorar lágrimas de sal.

Ruy Serrano - 02.08.2017




terça-feira, 1 de agosto de 2017

NÃO SEI FAZER OUTRA COISA

Não sei fazer outra coisa,
Só escrevo bonita poesia,
Que me enche de alegria,
E que gravo numa loisa.

É com a poesia que vivo
A felicidade tão desejada,
Toda a vida mui esperada,
E de que sou sério amigo.

A poesia dá-me coragem 
Para inda viver mais anos,
Livre de grande voragem,
Evitando possíveis danos.

Não sei fazer outra coisa,
Não me sinto assim inútil,
Minha vida nunca será fútil,
Será como a melhor loiça.

Quanto me sinto tão sensível
À poesia que escrevo e leio,
Minha boa amiga, meu enlevo,
Que manterei sempre audível.

Ruy Serrano - 01.08.2017




O ARCO-ÍRIS

Neste arco-íris da vida, as cores
Não são sempre coloridas,
São por vezes escuras,
Frias e sofridas.

O arco-íris aparece sem esperar,
Fica visível por momentos,
Deixa-me a suspirar,
A viver tormentos.

Espero ver no arco-íris a musa
Por que suspiro há muito,
Ela faz-se surda,
Eu fico mudo.

O arco-íris é o emblema de vida,
Que adoptei por simpatia,
Acho nele a magia,
Tão querida.

Não quero partir da Terra sozinho,
Quero levar comigo o arco-íris,
Por ser o meu protector,
E eu não ser desertor.

Ruy Serrano - 01.08.2017



sábado, 29 de julho de 2017

POEMA DE VIDA

Este poema que escrevo é para ti,
É um poema da minha vida,
Que quero que conheças,
Por seres minha amiga.

Na África onde eu nasci e cresci,
A vida era fácil e saudável,
Vivia-se com a natureza,
E a sua real beleza.

A floresta imponente, verde e densa,
Era um apelo à sua descoberta,
Tal o mistério que encerra,
Duma história imensa.

As planícies e savanas sem fim,
Sempre tentadoras para mim,
Como os blocos de salalé,
E os sabores de café.

Os rios nervosos, de águas claras
Que serpenteavam o solo,
E me recebiam ao colo,
Minhas amarras.

O nascer do sol vermelho e ardente,
Que coloria o horizonte do céu,
Era como o café quente
Tomado de manhã.

As virgens nuas se banhando no rio,
Mostrando seus seios hirtos,
Proclamavam aos gritos,
Que andavam com cio.

Vida natural e bela, sem outra igual,  
Vida que se vivia com prazer,
Em que não havia rival,
E era boa de viver. 

Ruy Serrano - 30.07.2017





quarta-feira, 26 de julho de 2017

ENTRE O AMOR E O ÓDIO

Não sei se te amo, se te odeio,
Sinto o maior receio,
De ainda te amar
E de te odiar.

Entre o amor e o ódio, não sei
O que é mais verdadeiro.
O amor é ouro de lei,
O ódio é traiçoeiro.

Tenho receio de amar e odiar,
Gostaria de apenas amar,
Mas o ódio espreita,
A margem é estreita.

Faz parte do homem, a hesitação,
Entre amar ou odiar alguém,
Bate forte o coração,
É o meu desdém.

É tão difícil amar como é odiar,
Não quero assim imaginar,
O que me vai acontecer,
Se acabar por sofrer.

O melhor é não amar nem odiar,
Para acabar com os ciúmes,
Que chegam sem avisar.
Vou mudar de atitude.

Ruy Serrano - 26.07.2017