domingo, 16 de setembro de 2018

DO SONHO À REALIDADE

Cansado da cidade, embrenhei-me na floresta,
Quiz conhecer os animais, meus bons amigos,
Na cidade é tudo mais artificial, vivem inimigos,
Na floresta o ambiente é uma agradável festa.

Não me sinto abandonado, antes considerado
Pelos novos amigos que conquistei, tolerantes
E ordeiros, eles são meus fiéis companheiros,
Tudo vai ser diferente, não será como dantes.

Com os elefantes, gorilas, macacos e papagaios,
E outros animais, criaturas de bons sentimentos.
A minha vida deu a volta de cento e oitenta graus, 
Achando-me rei da selva, em certos momentos.

Percorri a selva na descoberta do novo habitat,
Era tal a sensação de me encontrar num Eden,
Onde imperava a Paz, a tolerância e a amizade
Que me achei a viver uma inesperada realidade.

Tomei banho em riachos, nadei nos seus poços,
Os peixes fizeram uma festa, deram de alegria
Saltos, roçando pelo meu corpo, eu me sentia
Feliz, só me faltava cerveja fresca e tremoços.

Quando pela manhã acordei de sono profundo,
E o sol me beijou a face, compreendi o sonho
Que toda a noite tomou conta de mim, mundo
Diferente em que eu vivo, demasiado tristonho.

Tristonho porque é habitado por gente pérfida,
Que só pensa no seu bem estar e na riqueza
Que acumulam por qualquer preço, a tristeza
À custa dos pobres que padecem de comida.


Ruy Serrano - 17.09.2018

sábado, 15 de setembro de 2018

ENTRELINHAS

Aprendi ler nas entrelinhas, metáforas da vida,
Fico incrédulo com o que leio,
Palavras óbvias de magia,
Sem moral nem pejo.

Vivemos nas entrelinhas, inseguros e nervosos,
Por não sabermos o que somos,
Se humanos ou gnomos,
Criamos atrozes.

As entrelinhas são como teia que nos envolve,
Não nos dá liberdade para pensar,
Até nos impede de amar,
Porquê, nunca soube.

A nossa vida é feita de muitas entrelinhas,
Difíceis de poderem ser destruídas,
São invisíveis e pequeninas,
Devem ser esquecidas.

Tenho de destruir as malditas entrelinhas,
Que me dificultam os movimentos,
Preciso de bons momentos,
Para não serem minhas.

Ruy Serrano - 15.09.2018

PORQUE GOSTO DE MIM

Gosto de mim porque me conheço,
Não sou desumano nem travesso,
Sou ingénuo e inocente, tolerante,
Tenho amor, não sou deselegante.

Gosto de mim como sou, simples,
De poucas ambições, me entrego
De corpo inteiro aos meus amigos,
Não lanço provocações e desafios.

Porque gosto de mim há muito sei,
Não é nada que eu nunca guardei,
Pelos meus gestos, deixo recados,
De que vivo feliz e sem pecados.

Gosto de mim e dos meus amigos,
A eles me dedico e lanço desafios,
Com os poemas que lhes ofereço,
E lhes dedico com o meu apreço.

Porque gosto de mim, foi explicado,
Não ficam dúvidas, é tudo verdade,
Por gostar assim sou recompensado,
Nada escondi, é a minha realidade.


Ruy Serrano - 15.09.2018

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

DE REPENTE...

Narrativa de factos pontuais da minha vida 

Os anos passaram tão velozmente que de repente passei a ser idoso. Não me apercebi desta minha nova fase da vida. Foi muito de repente. Há bem pouco tempo as minhas virtualidades eram muitas e pujantes. Hoje é tudo diferentTornei-me mais sensível em tudo que é vida e humano. Neste meu novo tempo, tenho pena dos animais, de toda a fauna e da natureza. Até me aflige ver formigas a serem pisadas, passarinhos a servirem de petisco, e outros animais serem repasto dos obsecados pela gastronomia. Muito me choca ver a humanidade em permanentes conflitos, dizimando-se por ideais irrealistas, por dinheiro e pelo poder, ver crianças mal tratadas, muitas sem a oportunidade de viverem.
Quando comparo a actualidade com o passado, vejo que a minha vida foi condicionada por fatores alheios à minha vontade. O meu percurso afastou-se das minhas preferências e aptidões. Gostaria de ter seguido uma destas três vocações: realizador de cinema, escritor ou eclesiástico. Uma voz e vontade sobrepôs-se à minha e desviou-me desse meu objectivo. Foi meu pai a quem eu obedecia por dever. Acabei por me comprometer com a profissão ingrata de técnico de contas que exerci até à minha reforma. Foram cerca de 50 anos de trabalho mal remunerado e incompreendido com exigências absurdas dos meus clientes, nomeadamente na fuga aos impostos.

Este é um excerto do meu próximo livro auto-biográfico

Ruy Serrano
Escritor 

Tomar - 14.09.2018

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

SERRANO & COMPANHIA - S.A.

Há oito décadas fundei uma sociedade,
A que se juntou minha mulher, os filhos.
Netos e bisnetos, com uma finalidade:
Construirmos a nossa herança, unidos.

Depois de muita labuta, o nosso projecto,
Apesar das contrariedades, foi sucesso,
E cada um seguiu os próprios caminhos,
Sempre motivados, pelo sangue, unidos.

Com altos e baixos, o projecto prossegue,
Consolidar nossas vidas, é a prioridade,
O que quer que se intrometa, não se teme,
Trabalhar com afinco e muita verticalidade.

Os filhos e netos já estão encaminhados,
Os bisnetos mui atentos estão a crescer,
Contam com a ajuda dos seus familiares
Para conseguirem atingir seus objectivos.

A sociedade ainda não se dissolveu, será
O seu fim, quando os sócios fundadores 
Já não conseguirem um dia ao fim chegar,
Com a consolação de ficarem sucessores.

Ruy Serrano - 13.09.2018


terça-feira, 11 de setembro de 2018

NAQUELE TEMPO...

Tempo que os anos arrebataram,
E levaram para bem longe daqui,
Para aquele tempo que não volta,
Não era como o de hoje de batota.

Naquele tempo, havia muito tempo
Para se viver com muita qualidade,
A viver se vencia um contratempo,
Por encararmos a sério a realidade.

Vivíamos do tempo e para o tempo,
Para se ganhar tempo com tempo,
Era forte a vontade de ultrapassar
O tempo que nos fugia com o vento.

Naquele tempo o tempo era outro,
Não se compara com este tempo,
Tudo era mais certo, não absurdo,
Vivia-se o tempo com mais tempo.

Hoje o tempo num ápice desaparece
E nunca nada se passa e acontece,
É tudo muito artificial e passageiro,
Vive-se da boleia da vida, matreiro.

Ruy Serrano - 12.09.2018







domingo, 9 de setembro de 2018

FALSO AMOR

Descobri que esse teu amor é falso,
Seduziste-me para te divertires,
Puseste a minha cabeça no cadafalso.
Sem nenhuma pena tu sentires.

Não sei porque me escolheste então
Para tua vítima, sem razão.
Em vez de escolheres outra figura,
Que servisse a tua aventura.

Descrente como estou nesse teu amor,
Afasta-te de mim, dá-me espaço,
Não quero sofrer mais tempo de pavor,
De um falso beijo, prefiro um abraço.

Esse falso amor vai ser o teu castigo,
Deixarás de ser assim perigosa,
Não mais te porás no meu caminho,
Por seres tão falsa e mentirosa.

Ruy Serrano = 10.09.2018