quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

TRISTE E SÓ...

Triste e só, ando neste mundo perdido,
Muito confuso, já não sei quem eu sou,
Procuro algo que não encontro, o amor
Que eu tanto idolatrei e que me deixou.

Reclamo a todo o momento esse amor,
Que não me escuta e assim me trocou,
Sem me confessar o motivo, um ardor
Que me deixou em pranto e me chocou.

Os meus queixumes são em vão, ocos
E nunca escutados, eu sofro de solidão,
Acho que já nem valho vintém ou tostão,
És indiferente, tuas orelhas são mocas.

Conclusão triste a minha, por seres má,
Jamais invejo o teu futuro, pagarás caro
Seres tão fria e não teres nenhum chá,
És um bicho esquisito e bastante raro.

Já não te aceito, te renego, não peças
Para que perdoe, sofri com tudo que vi,
Pior do que passei foi ter sofrido por ti,
Deixaste combalido e todo às avessas.

Ruy Serrano - 14.12.2018



segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

NOITE ENLUARADA

Noite enluarada aquecida por uma fogueira,
Corpos de mulheres numa dança frenética,
Com seus dons de bailarinas provocantes,
A mostrarem as suas partes mais íntimas.

Sensação única estar no interior da selva,
Com tal palco africano aberto e sedutor,
Convidando o maior inocente a pecador,
Saindo para a luz da razão, sem as trevas.

Bela noite enluarada, de lua bem cheia,
Lá no alto espreitando a vida na floresta,
Juntando-se à alegre, ruidosa bicharada,
Que se mantém muito atenta e à espreita.

Sou actor do mesmo espectáculo, discreto,
Não represento, sou um simples figurante,
Gosto de participar, por ser tão importante,
Revelar a face da vida, como retrocesso.

Até o sol raiar, a noite não chega a dormir,
Há vinho da palmeira para muito consumir,
As virgens com os peitos tão provocantes,
Dançam, remexendo as ancas ondulantes.

Ruy Serrano - 11.12.2018




domingo, 9 de dezembro de 2018

A PRISÃO DA VIDA

Estou preso pela vida, 
Dela não me quero libertar,
Sinto-me bem como estou,
Não vá a vida piorar.

A vida prendeu-me,
Estou com ela desde que nasci,
Com coragem venci,
Muita coisa ainda aconteceu.

A prisão da minha vida,
Terá o prazo que ela entender,
Com a morte será aguerrida,
Permitirá que eu viva.

Vida por vida, gosto da minha,
Não a troco por outra,
Esta ė a vida que eu merecia,
Não me vejo noutra.

Esta prisão da vida,
Obriga-me a ser cauteloso,
Não sou medroso,
Tenho a vida tão merecida.

Ruy Serrano - 10.12.2018





NAVEGO NAS TUAS ÁGUAS

Navego nas tuas águas mornas,
Águas que me amaciam a pele,
Perfumadas da maresia da tarde,
Quando o sol se esconde de nós,
Pena tenho não haver aqui trenós.

À tona das águas mansas, navego,
Quero ir ter contigo, para de beijar,
Tanto tempo estive assim afastado,
Vivo ansioso e muito desesperado,
Para chegar, te rever e te acariciar.

Queira Deus que não haja agitação
Das águas e eu possa então gozar
Momentos únicos de muita emoção,
Com meu sentir e um grande amar.

Não desisto, vou continuar a navegar
Nestas nossas águas sem agitação,
Para nos unirmos num só diapasão,
Em torno do nosso futuro a desfrutar.

Navego e navegarei até à eternidade,
Entre nós não há racismo nem idade,
O amor é universal, puro como tu és,
Vou navegar, nem que seja na tua ré.

Ruy Serrano - 10.12.2018



sábado, 8 de dezembro de 2018

A MINHA TERRA VISTA DO EXÍLIO

           Sabor da manga da minha mangueira,
Cheiro da terra do meu quintal,
Os animais do meu curral, 
Brincadeiras de pé descalço,
Nas ruas sem nenhum asfalto,
As perseguições aos sapos e rãs,
As prisões dos lagartos,
Os abraços do meu chimpanzé,
A minha comunhão de fé,
O Cantar do hino na escola,
O peso dos livros na sacola,
O sabor da chicuanga fresca,
Os banhos nus na baia,
As malandrices que inventava,
As palmatoadas que levava,
Os castigos de minha mãe,
As repreensões de meu pai,
As saudades que não me deixam
Daquele tempo irrepetível,
Tão natural e apetecível,
Sensações que passaram
E se diluíram no tempo,
É hoje uma leve recordação,
Que vivo com muita emoção.

Ruy Serrano - 09.12.2018





A MINHA PONTE

Atravessei a minha ponte,
Fiquei deste lado,
Não quis regressar ao passado,
Atravessei a ponte, fiquei aqui.
Com dificuldades sobrevivi.

Do outro lado da ponte
Já não tenho nada,
O que ficou já não é meu,
Alguém ficou com o que não é seu,
Minha vida destroçada.

A ponte ainda resiste,
É mais forte que eu,
Mas na ponte não confio,
Pode ter algum pavio,
Que a faça explodir.

Ponte como a minha 
Já não se constrói,
Hoje são perigosas,
Colapsam sem se esperar,
Podendo pessoas matar.

Perdi a coragem
De atravessar a minha ponte,
Tudo pode acontecer,
Mesmo antes de apodrecer,
Ser alvo de sabotagem.

Ruy Serrano - 08.12.2018




quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

FELIZ NATAL

Estas duas palavras pequenas,
De cinco letras as duas apenas,
São grandes, abraçam o Mundo,
Dizem mais q’um simples mudo.

São palavras que muito dizem,
E que devem ser interpretadas
Como de paixão e do coração,
Que não se guardam e se dão.

Feliz Natal é sempre o desejado
Por quem tão bem intencionado,
Quer viver em paz e harmonia,
Com os amigos em companhia.

Chegou o momento de darmos 
As mãos para estarmos unidos
Em torno dos mesmos ideais,
Não são gestos apenas banais.

O tempo urge, amanhã é tarde,
Festejar a Paz e o Natal, hoje,
Entre toda a humanidade viva,
Para não se sentir tão perdida.


Ruy Serrano - 06.12.2018