domingo, 8 de janeiro de 2012

UM ATL DE CIRCUNSTÂNCIA EM MINHA CASA






Nunca imaginei que a minha casa, doce lar, ainda se tornasse mais doce com a sua adaptação temporária a um ATL. Durante cerca de mês e meio a sala comum foi transformada em salão de recreio para os meus dois netos mais novos e dois dos meus bisnetos confraternizarem e se divertirem a seu belo prazer. Os netos, Duarte, de 9 anos, o seu mano, Afonso, de 7 anos e a bisneta mais velha, Beatriz, de 5 anos e o seu mano, o bisneto mais novo, Bernardo, de 9 meses.


A nossa vida, minha e de minha mulher, transformou-se radicalmente com a presença constante daqueles nossos netos e bisnetos. Eles foram para nós um bálsamo para o renovar de energias e bem-estar. A nossa sala passou a estar 100% à disposição daquelas adoradas crianças. Eles usufruíram dos sofás, das mesas, da televisão e dos objectos decorativos, como se fossem brinquedos que se juntavam aos seus, já por si muito diversos e sofisticados. A nossa interferência apenas se resumiu a incutir-lhes a noção de assumirem a responsabilidade de manterem tudo intacto, embora desordenadamente.

Com esta experiência única das nossas vidas, - que não conseguimos viver com os nossos filhos e os nossos netos, por indisponibilidade profissional -, tivemos a oportunidade de transmitir e receber afectos, ensinarmos e aprendermos conhecimentos e segredos. Por outro lado, foi uma maneira saudável e prática de nos desligarmos das más notícias e programas televisivos inconvenientes que nos entravam a todo o momento em nossa casa.

Achei por bem escrever esta crónica leve, sobre um episódio verídico da minha vida actual, de modo a sensibilizar os avós e bisavós que devem, durante um curto período de tempo - aproveitando por exemplo as férias escolares maiores -, para porem as suas casas à disposição dos seus netos e ou bisnetos. Verão que vão sentir as vossas vidas rejuvenescer.

O meu maior receio é que ainda me venha a ser levantado algum auto de transgressão por falta de licença do meu ATL improvisado, tal como em plena época natalícia recebi, como prenda irrecusável uma notificação para pagar uma multa de 60,00 €, por transgressão no estacionamento da minha viatura. Para contribuir deste modo abusivo para os cofres do Estado tive de reduzir o valor das prendas que ofereci aos meus netos e bisnetos.

sábado, 7 de janeiro de 2012

LISBOA OUTRAVEZ



Lisboa é única e minha grande paixão,
Desde criança que a tenho no coração,
Não suporto estar tanto tempo ausente,
Das colinas e do Tejo, já adolescente.

Suas gentes castiças e bem populares,
Mantêm suas veras tradições seculares,
Vivendo moderna, actual, cosmopolita,
Entrando numa activa e forte compita.

A minha paixão é maior quando a vejo,
Fervilha em mim ciúmes dos lisboetas,
Por não fazer parte das velhas facetas.

Lisboa é o centro dos amores e desejo,
Que invadem meu pensamento lúcido,
Mantendo meu ego são e translúcido.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

IR OU FICAR

Quero ir para longe, bem longe,
Não sei com quem e para onde,
Só sei que quero mudar de vida,
Sinto-me inseguro de sina lida.

A minha sina não me aconselha
A ir para mais longe. Irei ficar,
Para por melhores dias esperar,
Ver o futuro como uma centelha?

Não sei se fico, se devo partir,
Continuo confuso e incrédulo,
Não há caso, ao meu, paralelo,

É melhor ficar e tentar resistir,
Ao que então vier a acontecer,
Bom ou mau, difícil de prever.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

INSÓNIA




Estou bêbado de sono, de quando em vez
Fecho os olhos e sinto-me no ar a flutuar,
Com a luz do dia, a hora já é de madrugar,
E eu sem pregar olho, tão pura insensatez.

Durante o passar dos minutos e das horas,
Vêm-me à mente pensamentos dispersos,
A noite esvazia-se do negro qual desoras,
E sou surpreendido por pesadelos severos.

Esforço-me em vão por passar pelo sono,
Minha atenção torna-se dispersa e difusa
Como eu estivesse enamorado da musa,

Que imaginei comigo ocupar nosso trono,
Num reino embrenhado naquela floresta
Onde eu nasci e cresci em vida modesta.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

ESPERANÇAS



As minhas esperanças não se desvaneceram,
São as mesmas desde criança,
Porque ainda não cresci,
Não desisti.

Quiz crescer depressa para ser independente,
Não tive tempo de me tornar adulto,
Fui sempre um miúdo ousado,
Mimado.

Li livros e revistas, escrevi, representei e declamei,
Ambicionei ser figura da sétima arte,
Estudei os labirintos do cinema,
Saí de cena.

Embrenhei-me pela vida, desbravando caminhos,
Trabalhei sem parar até me cansar,
Consegui alcançar resultados,
Frustrados.

Quando a vida me sorria e o futuro bom prometia,
O inesperado aconteceu, e a frustração,
Tomou conta do meu ego,
Deixou-me cego.

Bem me agarrei às últimas esperanças que restavam,
Ficaram destroços à tona a flutuar,
Não havia nada para salvar,
Um forte amargar.

Hoje vivo ainda das esperanças que nunca perdi,
São as esperanças que levarei comigo,
Quando passar ao outro Mundo,
Sem fundo.
































































domingo, 1 de janeiro de 2012

SONHO DE UM NÁUFRAGO

Depois do barco se afundar nas águas agitadas,
Ele nadou, nadou até terra firme, destemido.
Julgava-se a salvo em terras há muito povoadas,
Pareceu-lhe ser uma ilha de um reino antigo.

Percorreu savanas, planícies, serras, rios e lagos,
Lagoas e florestas, achou-se em terras conhecidas,
Memórias do passado de quadros exóticos vagos,
Que o tempo transformou em telas mal esbatidas.

Cruzou-se com animais, repteis, insectos e pássaros,
Foi então socorrido pelos nativos daquela santa terra,
Que era afinal a terra onde há muito tempo nascera,

Pareceu-lhe um território num continente de escravos,
Era de facto uma terra como uma ilha num continente,
De nome Cabinda, terra formosa e ainda sobrevivente.

UM NOVO ANO



Um Novo Ano é como uma porta que se abre
Para um Mundo de surpresas e de esperanças,
Melhores dias, outra chama que no peito arde,
Esperando por muitas e melhores mudanças.

Um Novo Ano redobra a nossa maior coragem,
Para encetarmos um longínquo e novo caminho
A percorrer em busca da verdade e da imagem,
Dum Novo Mundo de Paz e de maior carinho.

Abraçado ao Novo Ano, desejo profundamente,
Que a Humanidade se reconcilie e ame sempre,
Fazendo as pazes com a natureza, eternamente,

Há mais um Novo e Outro Ano para seguramente
As novas gerações outras mentalidades criarem,
Para construírem o futuro que melhor idealizarem.