sexta-feira, 17 de março de 2017
segunda-feira, 13 de março de 2017
AS ÁRVORES DAS PATACAS
As “Árvores das Patacas” estiveram conotadas com os
emigrados para as ex-colónias, incluindo o Brasil. Era corrente ouvir-se dizer
que os colonos tinham descoberto a “Árvore das Patacas”, porque deixavam
transparecer uma qualidade de vida melhor que aquela que tinham em Portugal Continental.
Todavia, era completamente desconhecida a vida de
sacrifícios e muito trabalho que esses colonos aplicavam na procura constante
de melhores condições de vida e progresso das terras que os acolheram. A sua
“Árvore das Patacas” era a labuta intensa e profícua no contacto com os bens da
natureza e as verdadeiras “Árvores das Patacas” de que me lembro, eram, apenas,
entre muitas, o cafezeiro, a palmeira, a bananeira, o coqueiro, a mangueira, o
abacateiro, a goiabeira, o cajueiro, o embondeiro, entre outras, que produzem
frutos deliciosos e, como inspiração da beleza africana, as acácias, vaidosas
das suas flores, a sublime rosa de porcelana ou a misteriosa welwitschia, do
deserto do Namibe (Angola), única no Mundo. Os ditos usufrutuários das
imaginárias “Árvores das Patacas” foram aqueles que, pelas paragens por onde
andaram e se fixaram, ergueram vilas, cidades e países, produto de toda a mais
valia da sua vida de trabalho.
Nos dias que correm, as verdadeiras “Árvores das
Patacas”, inspiradas naquelas utópicas e míticas árvores de antanho,
proliferaram por todo o planeta, tendo-se fixado, as de maior porte, nos
offshore, nos grupos financeiros, nas multinacionais e nas Oligarquias dos
regimes políticos instalados. As de menor porte também se espalharam pelas
classes burguesa e média alta de todo o Universo. Os seus beneficiários
enriqueceram à saciedade, imaginando que as ditas árvores eram como que
“galinhas de ovos de ouro” inesgotáveis. Todavia, foram bruscamente
surpreendidos por uma epidemia que grassou por todas elas, começando nas de
maior porte, e atingindo todas as outras. A maior parte delas secou, umas
quantas esforçaram-se por se reabilitar mas a maior parte não tem cura
possível.
As grandes,
médias e pequenas fortunas ficaram
fortemente abaladas, sentindo o efeito nocivo da epidemia, tendo a maior parte
sucumbido, enquanto que os dois milhões
de pobres existentes em Portugal, conscientes da sua marginalidade,
assistem ao espectáculo, sem quaisquer receios e arrependimentos, porque a sua
vida foi sempre pautada por orçamentos de rigor e escassez de meios
Estes cidadãos são os únicos que têm um sono mais
tranquilo por não terem que se preocupar com as tais “Árvores das Patacas”.
Ruy Serrano –
13.03.2017
TEUS OLHOS TRISTES
Teus olhos tristes não me enganam,
São olhos de quem sofre por mim,
Não te quero ver sofrer tanto assim,
Afasta os males que te atormentam.
Vou esquecer os teus olhos tristes,
Lembrar esses teus lindos matizes,
Que embelezam teus lindos olhos,
Como ramos de flores aos molhos.
Quero ver teus lindos olhos a sorrir,
Afastando a tristeza para bem longe,
P'ras profundezas das constelações
Das estrelas perdidas no Universo.
Verás que o sorriso dos teus olhos,
Iluminará a terra com a sua beleza,
Dando mais vida, vigor e subtileza
Às cores vivas dos nossos sonhos.
Ruy Serrano - 13.03.2017
São olhos de quem sofre por mim,
Não te quero ver sofrer tanto assim,
Afasta os males que te atormentam.
Vou esquecer os teus olhos tristes,
Lembrar esses teus lindos matizes,
Que embelezam teus lindos olhos,
Como ramos de flores aos molhos.
Quero ver teus lindos olhos a sorrir,
Afastando a tristeza para bem longe,
P'ras profundezas das constelações
Das estrelas perdidas no Universo.
Verás que o sorriso dos teus olhos,
Iluminará a terra com a sua beleza,
Dando mais vida, vigor e subtileza
Às cores vivas dos nossos sonhos.
Ruy Serrano - 13.03.2017
UMA CERTA LISBOA
Aquela Lisboa de antanho, já não existe,
Era a minha Lisboa, minha vida vivida,
Que recordar me dá prazer, não desisto,
Hoje é uma outra Lisboa, é desvirtuada.
Era a Lisboa dos ardinas e das varinas,
Dos pregões, dos fados e guitarradas,
Cidade por que me apaixonei e beijei,
Recebendo o abraço das suas colinas.
Colinas sete que eu adorava desfrutar,
Quando ao castelo subia pra espraiar
Meu olhar pelo casario até ao Rossio,
E a minha vista se perder no seu rio.
Era uma certa Lisboa, muito diferente,
Da Lisboa D'hoje, da verdade ausente,
Tornou-se cosmopolita, sua perdição,
Deixou de ser Lisboa do meu coração.
Uma certa Lisboa como a de antanho,
Deixou de existir, tem maior tamanho,
Invadiu o Tejo, poluiu o ar e as águas,
Deixou-me triste, com muitas mágoas.
Uma certa Lisboa passou ao turismo,
Deixou de ser a Lisboa dos pregões,
Dos fados e das guitarrada, um hino
Ao passado que foi de má fé invadido.
Uma certa Lisboa que eu adolescente,
Tomei nos meus braços e me seduziu,
Jamais olvidarei seus beijos ardentes,
Que trocávamos com amor e carinho.
Ruy Serrano - 13.03.2017
Era a minha Lisboa, minha vida vivida,
Que recordar me dá prazer, não desisto,
Hoje é uma outra Lisboa, é desvirtuada.
Era a Lisboa dos ardinas e das varinas,
Dos pregões, dos fados e guitarradas,
Cidade por que me apaixonei e beijei,
Recebendo o abraço das suas colinas.
Colinas sete que eu adorava desfrutar,
Quando ao castelo subia pra espraiar
Meu olhar pelo casario até ao Rossio,
E a minha vista se perder no seu rio.
Era uma certa Lisboa, muito diferente,
Da Lisboa D'hoje, da verdade ausente,
Tornou-se cosmopolita, sua perdição,
Deixou de ser Lisboa do meu coração.
Uma certa Lisboa como a de antanho,
Deixou de existir, tem maior tamanho,
Invadiu o Tejo, poluiu o ar e as águas,
Deixou-me triste, com muitas mágoas.
Uma certa Lisboa passou ao turismo,
Deixou de ser a Lisboa dos pregões,
Dos fados e das guitarrada, um hino
Ao passado que foi de má fé invadido.
Uma certa Lisboa que eu adolescente,
Tomei nos meus braços e me seduziu,
Jamais olvidarei seus beijos ardentes,
Que trocávamos com amor e carinho.
Ruy Serrano - 13.03.2017
A CANOA
CRÓNICA
LENDÁRIA
A canoa é
uma pequena embarcação africana, preferencialmente utilizada na pesca artesanal,
em águas muito próximas da costa. É de construção rudimentar pelo escavar de um
tronco, de madeira exótica leve e resistente. A canoa tem tradição em toda a
Costa africana, referindo-me, muito particularmente ao reino do N´Goio, hoje
conhecido por Cabinda, onde surgiu uma lenda que nos sensibiliza pela sua
origem e significado.
Em tempos
muito recuados, de há séculos, os povos africanos estavam muito virados para o
interior dos seus territórios e do próprio continente, onde se abasteciam dos
seus bens alimentares, consumindo particularmente caça, tubérculos e fruta,
além das pequenas culturas das suas lavras. Não tinham, portanto, uma relação
muito aberta com o mar.
No reino do
N´Goio, certo dia, uma mulher casada, de nome Micaela, cometeu adultério.
Reuniu o conselho da aldeia e o soba (chefe supremo da aldeia) resolveu
puni-la, mandando atá-la a um tronco de madeira flutuante, e abandonando-a no
mar largo, fora da baía. O homem, com quem ela cometeu o delito, desapareceu e
nunca mais foi visto.
Passados
largos meses, Micaela apareceu na baía dentro do mesmo tronco, em forma de
canoa e a remar. O facto foi tomado por todos como vontade dos Deuses que, para
além de a terem salvo, puseram nas mãos daquela gente um instrumento que
poderia introduzi-los na pesca. O soba voltou a reunir o conselho e resolveu
perdoar Micaela e o seu amante. Uma dúvida no entanto ficou no ar: não teria
sido o amante que teve a ideia de cavar o tronco e entregar o remo a Micaela
para se salvar? Dele nunca mais houve notícia. Para perpetuar o nome “canoa”, o
soba ditou que a partir daquele momento a baía passasse a chamar-se “Baía das
Almadias”. O navegador Ruy de Sousa ao aportar ali com as naus portuguesas,
pela primeira vez, em 1491, ficou surpreendido com o número elevado de canoas
(almadias) que navegavam na baía.
Desde então,
o povo do N´Goio e todos os outros limítrofes passaram a construir as suas
canoas e a dedicar-se à faina piscatória.
Os
cabindeses tornaram-se uns pescadores exímios, o que representou uma mais-valia
importante, pois passaram a fornecer peixe aos barcos que demandavam a costa de
Cabinda para se abastecerem também de frutas e água, além de fazerem permuta de
outros produtos coloniais por bens de consumo europeus.
Ruy Serrano –
13.03.2017
quarta-feira, 8 de março de 2017
MULHER
SENDO O DIA DE HOJE, O DIA INTERNACIONAL DA MULHER, PRESTO A MERECIDA HOMENAGEM ATRAVÉS DESTE POEMA
MULHER
És Rainha do Mundo, és diferente em tudo,
Tu existes para dominares o homem,
Que sem ti não seria nada.
Irradias beleza e tens virtudes,
Teus olhos, teu cabelo, teu rosto, teu corpo,
São o que de mais perfeito Deus criou,
E que o Homem mais desejou.
És companheira inseparável e dedicada,
Mãe afeiçoada e confidente,
És a timoneira do lar, no meio da tempestade,
Segues o rumo mais indicado,
Levas o barco a bom porto,
Salvas a tripulação de naufrágio.
O Mundo sem ti, não faria sentido,
O Homem ainda mais se odiaria,
Tornar-se-ia animal selvagem,
Andaria errante pelo Mundo,
À tua busca, ansiando por te encontrar,
Logrado, acabaria por desesperar.
Ruy Serrano - 08.03.2017
MULHER
És Rainha do Mundo, és diferente em tudo,
Tu existes para dominares o homem,
Que sem ti não seria nada.
Irradias beleza e tens virtudes,
Teus olhos, teu cabelo, teu rosto, teu corpo,
São o que de mais perfeito Deus criou,
E que o Homem mais desejou.
És companheira inseparável e dedicada,
Mãe afeiçoada e confidente,
És a timoneira do lar, no meio da tempestade,
Segues o rumo mais indicado,
Levas o barco a bom porto,
Salvas a tripulação de naufrágio.
O Mundo sem ti, não faria sentido,
O Homem ainda mais se odiaria,
Tornar-se-ia animal selvagem,
Andaria errante pelo Mundo,
À tua busca, ansiando por te encontrar,
Logrado, acabaria por desesperar.
Ruy Serrano - 08.03.2017
domingo, 5 de março de 2017
TOMAR O LADO BOM E O LADO MAU
É sempre difícil falar de Tomar pelo muito respeito que me merece. Todavia é por esse respeito que lhe devo, que me acho com o a obrigação e o direito de exteriorizar o que sinto pelo pulsar da nossa cidade.
Como todos os centros urbanos, Tomar tem o seu lado bom e o seu lado mau. Do lado bom estão os cidadãos anciãos e os poucos seniores e jovens mais atentos às realidades de Tomar; as tradições e costumes; a gastronomia; os monumentos e todo o património histórico, etc. Do lado mau, estão os cidadãos sem motivações e ambições; os bem instalados, mas dependentes; os jovens e os seniores desinteressados no evoluir positivo da sua cidade; o abandono da cidade por parte das entidades, sobretudo da autarquia; as promessas não cumpridas; o consumismo em detrimento do investimento; o abandono notório e escandaloso da economia citadina, com o encerramento de muitas superfícies comerciais e unidades industriais.
Do lado bom, são os anciãos que têm maior disponibilidade de espírito de participação com os seus artigos de opinião sempre oportunos acerca das realidades com que se confronta a nossa cidade.
Do lado mau, é a constatação da ausência da maior parte dos seniores e da totalidade dos jovens da vida social citadina, ao deixarem de pugnar pelos verdadeiros valores na construção de um futuro mais promissor para si e suas futuras famílias. Antes pelo contrário, a sua maior predisposição é para se entregarem a uma vida fútil, de diversão, artificial e sem ambições.
Enquanto permanecer o lado mau de Tomar, jamais haverá progresso, antes sim retrocesso, num grau assustadoramente crescente, sem reversão à vista. Apenas lamento que o meu contributo se resuma apenas a um ou outro artigo de opinião que já se torna fastidioso tanto para mim como para os eventuais leitores.
Ruy Serrano - 06.03.2017
Como todos os centros urbanos, Tomar tem o seu lado bom e o seu lado mau. Do lado bom estão os cidadãos anciãos e os poucos seniores e jovens mais atentos às realidades de Tomar; as tradições e costumes; a gastronomia; os monumentos e todo o património histórico, etc. Do lado mau, estão os cidadãos sem motivações e ambições; os bem instalados, mas dependentes; os jovens e os seniores desinteressados no evoluir positivo da sua cidade; o abandono da cidade por parte das entidades, sobretudo da autarquia; as promessas não cumpridas; o consumismo em detrimento do investimento; o abandono notório e escandaloso da economia citadina, com o encerramento de muitas superfícies comerciais e unidades industriais.
Do lado bom, são os anciãos que têm maior disponibilidade de espírito de participação com os seus artigos de opinião sempre oportunos acerca das realidades com que se confronta a nossa cidade.
Do lado mau, é a constatação da ausência da maior parte dos seniores e da totalidade dos jovens da vida social citadina, ao deixarem de pugnar pelos verdadeiros valores na construção de um futuro mais promissor para si e suas futuras famílias. Antes pelo contrário, a sua maior predisposição é para se entregarem a uma vida fútil, de diversão, artificial e sem ambições.
Enquanto permanecer o lado mau de Tomar, jamais haverá progresso, antes sim retrocesso, num grau assustadoramente crescente, sem reversão à vista. Apenas lamento que o meu contributo se resuma apenas a um ou outro artigo de opinião que já se torna fastidioso tanto para mim como para os eventuais leitores.
Ruy Serrano - 06.03.2017
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